|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
HISTÓRIA DA TV MANCHETE |
|
1981-1993: Nasce a Rede Manchete |
|
As primeiras crises
financeiras |
Como citamos anteriormente, Adolpho Bloch investiu mais de US$
50 milhões na Rede Manchete. Em 1985, com dois anos de
existência, os prejuízos da Rede Manchete eram evidentes. A
emissora entrava em sua primeira crise financeira.
Adolpho Bloch estava preocupado, pois a dívida da emissora já
atingia milhões de dólares. Segundo o jornal O Estado de S.
Paulo, séries como Xingu e Japão ganharam elogios, pois a
emissora investiu em qualidade, mas nem sempre isso demonstrou
ser sinônimo de lucro. “Descontente com o faturamento e a
audiência, Bloch aprova programas populares, como os
humorísticos do casal Carlos Eduardo Dollabela e Pepita
Rodrigues e Miéle”.
Em 1985, o único destaque da emissora é a estréia da
ex-modelo Xuxa, que ficou famosa por aparecer nua na capa da
revista masculina Playboy no começo da década de 80 e namorar o
ex-jogador Pelé. Xuxa logo cativou a audiência infantil e obteve
destaque no comando do “Clube da Criança”, que estreou em
janeiro.
No ano de 1986, a Rede Manchete já acumula, segundo o site Rede
Manchete – Qualidade em primeiro lugar, um prejuízo, desde a
estréia, de US$ 80 milhões e uma dívida de US$ 23 milhões.
A emissora enfrentou sua primeira greve os funcionários em
setembro de 1986, quando pararam em virtude de salários
atrasados. Xuxa, que alcançava excelente audiência, deixou o
canal no começo do ano e foi para a Rede Globo apresentar o “Xou
da Xuxa”. Ainda em 1986, duas atrações contribuíram para o
aumento da crise financeira: a transmissão da Copa do Mundo de
1986, no México e a novela “Dona Beija”, uma produção que custou
mais de US$ 2 milhões. Com cenas de nudez de Maitê Proença, a
novela fez grande audiência – cerca de 15 pontos diários,
especialmente entre o público masculino, mas também deu
prejuízo.
A primeira grande demissão da emissora, segundo o site Rede
Manchete – Qualidade em primeiro lugar, aconteceu em julho de
1987, quando a linha de shows da emissora, composta por musicais
e humorísticos, foi completamente desativada e cerca de cem
funcionários foram demitidos.
Com dívidas, em 1988 Adolpho Bloch começa a cogitar a venda da
emissora. O saldo devedor beirava a casa dos US$ 34 milhões,
quase dobrando em apenas dois anos. Um prejuízo de acumulava
atrás do outro. Bloch precisou pedir ajuda política para evitar
a falência da emissora.
De acordo com Conti (1999), o governador de São Paulo a partir
de 1987, Orestes Quércia, foi procurado por um preocupado
Adolpho Bloch.
“Pouco depois de tomar posse no governo paulista, Orestes
Quércia foi procurado por Adolpho Bloch e seu sobrinho Pedro
Jack Kapeller, o Jaquito. O dono da Rede Manchete desfiou um
rosário de lamentações. Reclamou das dificuldades da emissora,
das dívidas, do aperto dos credores, das concorrentes, da
ausência de anunciantes. Contou como fugiu da Rússia, o tanto
que trabalhou, como gostava de gráficas e que a televisão o
estava levando á loucura”. (Conti,1999, p.512).
Quércia, segundo Conti, disse que ajudaria Bloch não pelo
auxílio recebido durante sua campanha, pois, segundo o
governador, a emissora ajudara Paulo Maluf, mas sim por causa da
maneira como Bloch preservava a memória do ex-presidente
Juscelino Kubstichek. Orestes Quércia auxiliou a Rede Manchete,
através da compra de um grande pacote de anúncios e pagando
antecipadamente.
“A ajuda de Orestes Quércia a Bloch consistiu em colocar
anúncios do governo a granel na Rede Manchete, tomando o cuidado
de não melindrar os concorrentes, a começar pela Globo. Fazia o
pagamento da propaganda antes de ela ser veiculada”. (Conti,1999,
p.514).
Bloch, empolgado, quis vender a Rede Manchete para Orestes
Quércia, que é empresário do setor das comunicações – possuía
até o final dos anos 90 os jornais Diário Popular, em São Paulo,
e Diário do Povo, em Campinas, e ainda é proprietário de
emissora de televisão em Campinas. Quércia disse que não poderia
fazer negócios enquanto fosse governador. Conti ainda destaca:
“Ao sair do governo, ele disse a Bloch que queria comprar a
emissora da Manchete em São Paulo. O empresário aceitou, com a
condição de que se continuasse a transmitir a programação da
rede. Acertaram o preço: 28 milhões de dólares, à vista. O
peemedebista não tinha todo o dinheiro. Mandou um emissário
falar com Antônio Ermírio de Moraes, que não manifestou
interesse pelo negócio. Conversou com empreiteiras e procurou
Roberto Civita. “Acho bom que a emissora fique com um grupo
paulista, para que o estado tenha uma alternativa à Globo”,
sugeriu Quércia ao dono da Abril. Civita disse que deveria ser
feita uma avaliação da emissora, dos seus débitos, e depois
precisariam procurar bancos, para obter financiamentos. “Esse
negócio tem que ser feito por você e pelo Adolpho, um olhando no
olho do outro”. Civita não gostou do estilo de negociar do
governador e saiu da transição. Quércia não conseguiu articular
um grupo para comprar a Manchete e abandonou o projeto”. (Conti,1999,
p.514-515).
Com a desistência de Orestes Quércia, Adolpho Bloch continuou
com a Rede Manchete, tomando um prejuízo atrás do outro. Mesmo
com um rombo milionário, Bloch investiu muito dinheiro na
reabertura da linha de shows da emissora e torrou US$ 25 milhões
na sede paulistana da emissora, inaugurada em janeiro de 1990,
conforme registrou o jornal O Estado de S. Paulo. |
Índice
Texto anterior:
Os primeiros investimentos em teledramaturgia
Próximo texto:
O sucesso das novelas “Kananga do Japão”, “Pantanal” e “Ana Raio
& Zé Trovão” |
|
|
|
|
|
| |
|
| |
| |
Pesquisa e texto:
Thell de Castro
Última atualização:
01 de fevereiro de 2007 |
|
|