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HISTÓRIA DA TV MANCHETE |
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1993-1999:
O FIM DO IMPÉRIO DOS BLOCH |
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A venda definitiva e a extinção da emissora |
Após o precoce término da parceria com a Igreja Renascer em
Cristo, a Rede Manchete ganhou, na Justiça, definitivamente, a
posse da emissora, vencendo a batalha contra Hamilton Lucas de
Oliveira, da IBF, que havia conseguido, dias antes, liminar
garantindo a posse. Desta forma, a emissora poderia ser
finalmente vendida, pois tudo já estava pronto para tal fim.
No dia 8 de maio de 1999 foi anunciada, com aprovação do
Ministério das Comunicações, a venda da Rede Manchete de
Televisão e seus cinco canais para o Grupo Tele TV, de Amilcare
Dallevo Júnior. O nome da emissora foi trocado para Rede TV! e a
programação foi totalmente reformulada.
Era o fim de uma emissora que prometia revolucionar, em 1983,
quando foi lançada, com moderna programação visual e programas
para as classes A e B, mas que, com problemas administrativos e
gastos além do permitido, não chegou, ironicamente, ao ano 2000,
como preconizava seu slogan “A televisão do ano 2000”, falindo
um ano antes.
Para analisar o conturbado ano de 1999, último da história da
Rede Manchete, realizamos uma ampla pesquisa nos arquivos do
jornal Folha de S. Paulo daquele ano, relatando, abaixo, em
pequenos trechos, o que de principal foi noticiado em relação à
venda da emissora. O jornal fez grande cobertura sobre o assunto
e praticamente todos os dias apresentava informações a respeito
do tema.
05/01/1999 – Página 2-9
Igreja Renascer assume Rede Manchete
Toni Sciarreta e Ivan Finotti
A Fundação Renascer, da igreja evangélica Renascer em Cristo, é
a nova parceira da Rede Manchete de Televisão. Segundo acordo
assinado no domingo, a R.G.C. Produções Ltda. _que faz os
programas da Igreja Renascer exibidos na Manchete, passa a
dividir a responsabilidade pela produção, operacionalização e
comercialização das cinco emissoras que compõem a rede.Segundo o
bispo Antonio Carlos Abbud, sócio do presidente da Renascer, o
apóstolo Estevam Hernandes, não se trata da compra da rede e,
sim, de uma sociedade. (...) Desde setembro, a Manchete não paga
em dia os salários. Em outubro, cortou a produção de quase todos
os seus programas jornalísticos, abortando, inclusive, a novela
"Brida". No mês passado, pagou 20% do salário de setembro. Mesmo
assim, ficou fora do ar três vezes, a primeira devido a uma
invasão de funcionários na torre da emissora em São Paulo.
06/01/1999 – Página 2-3
Igreja Renascer diz que não assume dívidas da Manchete
Da Reportagem Local e da Sucursal do Rio
A Igreja Renascer não vai assumir as dívidas da Rede Manchete.
Segundo o bispo Antonio Carlos Abbud, 38, que está coordenando
as negociações, a igreja não vai sequer pagar os salários
atrasados. "Vamos estabilizar a emissora nesse primeiro momento
e receber dinheiro de anunciantes". A dívida com atrasados é de
cerca de R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Radialistas de
São Paulo. (...)A TV Manchete ganhou um novo prazo do Ministério
das Comunicações para comprovar que está em dia com o INSS, o
que é necessário para renovar as cinco outorgas que possui no
país, vencidas desde 96. Essas certidões negativas de débito,
que deveriam ser apresentadas no dia 18, poderão ser
encaminhadas até a segunda quinzena de maio. O ministério não
foi informado.
07/01/1999 – Página 2-3
Funcionários pedem ação do governo
Da Sucursal do Rio
RioUma comissão de funcionários da Rede Manchete vai a Brasília,
na próxima semana, pedir ao ministro das Comunicações, Pimenta
da Veiga, que interfira nas negociações entre a emissora e a
igreja Renascer, que vai administrá-la. Os funcionários querem a
preservação de empregos ou que a concessão da emissora, vencida
desde 1996, seja cassada.
09/01/1999 – Página 3-5
Só a Globo transmitirá desfile de Carnval
A Rede Globo vai transmitir sozinha o desfile das escolas de
samba do Rio deste ano. Esta será a primeira vez, desde que a
Manchete foi inaugurada, em 83, em que o Carnaval carioca é
transmitido apenas pela Globo. Em 84, a Manchete adquiriu
sozinha os direitos para transmitir o Carnaval.
12/01/1999 – Página 2-3
Situação da Manchete é ‘grave’, diz Pimenta
Da Sucursal de Brasília
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) considerou ontem
"grave" a situação da TV Manchete e disse que pretende encontrar
uma solução para os problemas "no menor prazo" possível. Com
dívidas de aproximadamente R$ 500 milhões, a Manchete pagou
apenas ontem o primeiro dos quatro salários atrasados de seus
funcionários desde setembro. Segundo o Sindicato dos Radialistas
do Rio de Janeiro, só os funcionários que não receberam o aviso
prévio em setembro e outubro foram pagos. O sindicato prometeu
entrar com ação para que os demitidos também recebam. Amanhã,
Pimenta se reúne com representantes dos funcionários da
emissora. O encontro com os proprietários da Manchete acontecerá
na sexta-feira.O ministro ainda não marcou uma audiência com os
representantes da Renascer e também não leu o contrato entre as
partes. Pimenta da Veiga disse que pretende resolver o problema
antes do final de maio, quando vence o prazo dado pelo
ministério para que a Manchete comprove estar em dia com o INSS.
Isso é necessário para que o ministério autorize a renovação das
concessões da Manchete.
14/01/1999 – Página 2-8
Ministro quer transferir controle da Manchete
Fernando Godinho
O Ministério das Comunicações está disposto a retirar o grupo
Bloch do controle da Rede Manchete e transferir a emissora para
novos administradores que comprovem ter capacidade técnica e
financeira para o negócio. A disposição do ministro Pimenta da
Veiga (Comunicações) foi expressa ontem a um grupo de
sindicalistas e de funcionários da emissora, em reunião no
ministério. Para concretizar essa operação, o ministério deverá
determinar a transferência direta do controle acionário da
emissora por meio de uma exposição de motivos aprovada por
Fernando Henrique. O grupo Bloch seria forçado a transferir o
controle da Manchete, mas continuaria responsável pelos débitos
com o INSS.
16/01/1999 – Página 2-2
Grupo Bloch diz que vai pagar atrasados
Anna Lee
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, entregou ontem
ao ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em Brasília,
carta de exposição de motivos que inclui o compromisso de pagar,
em 90 dias, os salários atrasados dos funcionários da Rede
Manchete. Na carta, que possui 23 itens, Kapeller também se
compromete a saldar as dívidas fiscais e bancárias da empresa.Na
última quarta-feira, o ministro recebeu um grupo de
sindicalistas e funcionários da emissora pedindo que o
ministério interfira no acordo firmado entre a Manchete e a
Fundação Renascer - no qual a RGC Produções Ltda. (produtora
pertencente à fundação) passa a assumir a produção,
operacionalização e comercialização da emissora, mediante o
pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, durante 15 anos.
19/01/1999 – Página 2-10
Jornal volta ao ar com fim de greve
Da Sucursal do Rio
Cerca de cem jornalistas e técnicos da Rede Manchete voltaram ao
trabalho ontem nas cinco cidades em que a emissora tem concessão
(Rio, SP, BH, Recife e Fortaleza). A emissora tinha cerca de
1.700 funcionários antes das 600 demissões que aconteceram a
partir de setembro. Os trabalhadores voltaram ao serviço depois
de receber um dos cinco salários atrasados. Ontem, o "Jornal da
Manchete" (fora do ar desde o dia 22 de dezembro) voltou a ser
apresentado, às 20h30. Segundo a chefe de reportagem do Rio,
Nelma Esteves, entre os 37 funcionários que voltaram a trabalhar
no Rio não estão repórteres e editores, mas apenas diretores.
20/01/1999 – Página 2-9
Acordo é ‘frágil’, diz Pimenta da Veiga
Fernando Godinho
A Fundação Renascer, da Igreja Renascer em Cristo, disse ontem
que pode pagar as dívidas da Rede Manchete, mas o Ministério das
Comunicações insiste em retirar o grupo Bloch e a própria
fundação do controle da emissora. As dívidas da Manchete estão
estimadas em cerca de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões com o
INSS. Na reunião de ontem com o ministro Pimenta da Veiga
(Comunicações), o presidente da Fundação Renascer, Estevam
Hernandes Filho, disse que a RGC (Rede Gospel de Comunicação)
tem o "compromisso" de pagar dívidas da Manchete para
viabilizá-la. (...) O ministro Pimenta da Veiga, segundo seus
assessores, não reconheceu a responsabilidade da Renascer sobre
a Manchete e avaliou que o acordo é "juridicamente frágil", pois
foi feito sobre concessões que estão vencidas desde 1996.
22/01/1999 – Página 2-4
Manchete diz que vai pagar salários
Da Sucursal do Rio
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, afirmou ontem,
no Rio, que pretende pagar todos os salários atrasados dos
funcionários da Rede Manchete até o final de março. No dia 11 de
janeiro, Kapeller pagou um dos cinco salários (incluindo o 13º)
que estavam atrasados desde setembro.O pagamento foi feito
depois do acordo firmado entre a TV Manchete e a Fundação
Renascer.
23/01/1999 – Página 2-2
Manchete demite e contraria TRT
Anna Lee
A Rede Manchete está enviando telegramas a funcionários
comunicando que estão demitidos. Em pelo menos um dos
telegramas, ao qual a Folha teve acesso, a justificativa da
demissão é justa causa "devido ao abandono de funções a partir
de 14 de outubro de 1998 (data de início da greve)". O
comunicado contraria decisão da juíza Rosana Travesedo, do
Tribunal Regional do Trabalho, de 16/12, que deu ganho de causa
aos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas em ação na qual
pediam abono das faltas desde o início da greve e pagamento dos
atrasados. O Sindicato dos Jornalistas disse ter conhecimento de
outros três telegramas que apresentam como justificativa o fato
de os trabalhadores terem participado de manifestação, em 28/12,
em frente ao prédio onde mora o presidente do grupo Bloch, Pedro
Jack Kapeller. Segundo a advogada dos sindicatos, Cláudia
Durant, "participação em manifestação não pode ser apresentada
como justa causa". Kapeller disse, por sua assessoria de
imprensa, que a empresa enviou telegramas de demissão a "poucos"
funcionários. A Manchete considerou que eles deram motivos para
receber justa causa.Ontem, os trabalhadores do Rio decidiram
manter a greve. O Sindicato dos Jornalistas encaminhou à
Procuradoria da República denúncia contra o acordo entre
Manchete e Renascer, por ser ele baseado em concessões vencidas.
28/01/1999 – Página 4-1
Telefone ajuda a pagar contrato
Érika Sallum e Ivan Finotti
A Igreja Renascer criou três números de telefone especialmente
para os fiéis ajudarem a pagar o arrendamento da Rede Manchete.
(...)O fiel pode contribuir com R$ 10 (0800-7010-10), R$ 25
(0800-7010-25) ou R$ 50 (0800-7010-50). Em uma gravação, a bispa
Sônia Hernandes, fundadora da Renascer, agradece a ligação, sem
informar a finalidade da contribuição nem como a conta será
cobrada. O telefone é divulgado em programas da Renascer, nos
quais também não é mencionado que a arrecadação servirá para
pagar o arrendamento da Manchete.
28/01/1999 – Página 4-1
Governo considera ilegal acordo Manchete-Renascer
Kennedy Alencar
O governo considera ilegal o contrato firmado entre a Rede
Manchete e a Fundação Renascer. Análise jurídica do documento
pelo Ministério das Comunicações concluiu que houve um
''arrendamento integral'' da rede de televisão, o que não é
permitido pelos decretos 52.795/63 e 2.108/96, segundo apurou a
Folha. Pelo contrato, a Fundação Renascer (por meio da RGC
Produções Ltda., produtora pertencente à entidade) assume a
produção, operacionalização e comercialização da emissora,
mediante o pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, durante 15 anos.
(...) No caso de concessões, é necessário, junto com os
requisitos legais, uma decisão do presidente da República. A
Folha apurou que o governo quer uma saída definitiva: a venda da
Manchete. Por isso, está disposto a conversar com outros grupos
que estejam interessados. Em último caso, a concessão seria
cassada.
06/02/1999 – Página 4-10
Sede da Manchete vira templo da Renascer
Ivan Finotti e Érika Sallum
A sede da Rede Manchete em São Paulo virou um templo da Igreja
Renascer. Ali, pede-se dinheiro aos fiéis, faz-se exorcismo e
realizam-se cultos. Isso, apesar de o ministro Pimenta da Veiga
(Comunicações) ter informado à Renascer que considera ilegal o
contrato com o grupo Bloch. A posição do ministro não anula o
contrato, cuja validade pode acabar tendo de ser decidida na
Justiça. O apóstolo Estevam Hernandes disse ser absurda a
constatação de que a sede da Manchete tenha se transformado num
templo. (...) A Folha apurou que a Renascer também promoveu um
ritual de exorcismo na sede da Manchete. Na quinta da semana
passada, um grupo de dez pessoas ligadas à igreja passou por
salas e estúdios batendo nas paredes e dizendo frases como "Sai,
demônio!".Segundo o sociólogo Ricardo Mariano, que estuda o
assunto há mais de dez anos, essa é uma prática comum das
igrejas neopentecostais. "Eles fazem esse exorcismo coletivo
como uma forma de expulsão de demônios. Costumam realizar também
em praças públicas ou ruas nas quais aconteçam muitos acidentes,
por exemplo", disse o sociólogo.O exorcismo da semana passada
foi um dos raros momentos de exposição da direção da Renascer
desde o início do mês passado.
10/02/1999 – Página 2-2
Manchete ameaça romper contrato com Igreja Renascer
Anna Lee
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, anunciou
ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que enviou
notificação à Fundação Renascer avisando que, se o pagamento da
primeira parcela do contrato com a TV Manchete não for pago em
72 horas, pretende romper o acordo. Pelo contrato firmado em 3
de janeiro entre Kapeller e a Fundação Renascer, a RGC Produções
Ltda. (produtora pertencente à fundação) assumiu a produção,
operacionalização e comercialização da Manchete, sob pagamento
mensal de R$ 4,8 milhões, por 15 anos. Segundo Kapeller, a
Renascer ainda não honrou o pagamento da primeira parcela do
acordo, que venceu no dia 31 de janeiro, e por isso pretende
romper o contrato.
13/02/1999 – Página 2-5
Manchete rompe contrato com Renascer
Anna Lee e Ivan Finotti
“A Rede Manchete acaba de romper o acordo com o grupo Renascer".
Assim começa o comunicado interno escrito na noite de ontem pelo
presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller. O papel foi
distribuído aos funcionários da emissora e lido, parcialmente,
no "Jornal da Manchete" pouco antes das 21h. O motivo, segundo
Kapeller, seria "o descumprimento de cláusulas contratuais". O
comunicado determina ainda "o imediato afastamento da RGC
Produções das atitudes operacionais, comerciais e artísticas que
vinha exercendo". A resposta do apóstolo Estevam Hernandes,
presidente da Fundação Renascer, veio por meio de sua
assessoria: Hernandes afirma que só sai da Manchete se houver
ordem judicial. O apóstolo soltou ainda um comunicado à
imprensa: "Estamos tomando todas as providências legais",
afirmou.
14/02/1999 – Página 3-7
Manchete fecha portas para bispos
Ivan Finotti
Seguranças da Rede Manchete fecharam ontem os portões para
impedir os bispos da Igreja Renascer de entrar na sede da
emissora em São Paulo. Desde a madrugada de sábado, os programas
da Igreja Renascer não estão mais sendo transmitidos. Na
madrugada, o "Espaço Renascer", da bispa Sônia Hernandes, foi
tirado do ar. O telespectador via apenas uma tela preta. Já de
manhã, os programas foram substituídos por seriados e desenhos
japoneses.
18/02/1999 – Página 2-5
Renascer reassume Manchete
Ivan Finotti
A Igreja Renascer conseguiu recuperar ontem a Rede Manchete de
Televisão por meio de uma liminar. Hoje, os programas
evangélicos da igreja devem voltar ao ar. (...)Na tarde de
ontem, o apóstolo Estevam Hernandes conseguiu uma liminar de
reintegração de posse da emissora na 6ª Vara Cível de Santana,
assinada pelo juiz Amador Pedroso. O grupo Bloch deve recorrer
hoje da decisão.
19/02/1999 – Página 2-3
Banco Rural cobra dívida da Manchete
Érika Sallum
O Banco Rural deu prazo de 24 horas para o grupo Bloch pagar
duplicata de R$ 5 milhões, descontada pela TV Manchete em
janeiro. Em carta endereçada a Pedro Jack Kapeller, presidente
do grupo, o banco afirma que, caso o dinheiro não seja pago no
prazo "improrrogável" de 24 horas, terá de tomar "medidas
extrajudiciais e judiciais pertinentes à espécie". A carta, de
17 de fevereiro, foi divulgada pelo próprio presidente do grupo
Bloch. À Folha, ontem, Kapeller afirmou "que a carta é uma prova
de que a Renascer não pagou nada à Manchete, ao contrário do que
afirma a fundação". Segundo ele, já está sendo renegociada com o
banco a prorrogação do prazo de pagamento.
23/02/1999 – Página 2-10
Manchete volta ao grupo Bloch
Da Reportagem Local
O grupo Bloch reassume hoje a Rede Manchete de Televisão. Ontem
à noite, o grupo derrubou, por meio de outra liminar, a liminar
de reintegração de posse que a Igreja Renascer havia conseguido
na quarta-feira passada. A nova liminar foi recebida sem
surpresa pelos bispos, que já haviam, inclusive, esvaziado suas
gavetas. Desde que recuperaram o controle da rede, na semana
passada, os bispos nem se preocuparam em gravar novos programas.
Exibiram apenas reprises.
25/02/1999 – Página 2-6
Kapeller negocia com dono do jornal “O Dia”
Anna Lee
O presidente das empresas Bloch, Pedro Jack Kapeller, disse
ontem que o empresário Ary Carvalho, dono do jornal carioca "O
Dia", é um dos interessados em comprar a Rede Manchete. Segundo
Kapeller também há negociações com outros dois grupos, mas ele
não revelou os nomes. A Folha apurou que um desses grupos é de
Brasília. Procurado pela reportagem, Carvalho disse, por meio de
sua secretária, que não atenderia ao telefonema por não ter nada
a falar, já que desconheceria as negociações com Kapeller. (...)
Ontem, Kapeller nomeou o jornalista Mauro Costa novo
superintendente-geral da rede.
26/02/1999 – Página 2-3
Pimenta elogia fim de acordo
Fernando Godinho
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) considerou "salutar''
a saída da Fundação Renascer do controle da Rede Manchete. A
fundação assumiu a gestão técnica e financeira da emissora no
início deste ano, mediante um contrato de arrendamento com o
grupo Bloch (proprietário da Manchete) que previa o pagamento
mensal de R$ 4,8 milhões. A inadimplência da Fundação Renascer,
que é ligada à Igreja Renascer em Cristo, fez o grupo Bloch
anular o contrato na Justiça.
05/03/1999 – Página 2-6
Funcionários invadem ministério
Da Reportagem Local
Cerca de cem funcionários da Rede Manchete invadiram ontem o
primeiro andar do prédio do Ministério das Comunicações em São
Paulo. Os funcionários pretendem acampar no local, onde fica a
sede do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações), por
tempo indeterminado, até que a empresa se decida a pagar os
salários que estão em atraso desde outubro do ano passado.
19/03/1999 – Página 2-3
Bloch revela interesse de produtora
Da Sucursal do Rio
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, disse ontem
que há um contrato de opção de compra da Manchete feita pela
produtora Ômega, de Amilcare Dallevo. Segundo Kapeller, o
contrato definitivo deve ser elaborado dia 8, quando termina
auditoria na Manchete pela empresa de Dallevo. A Ômega se
tornaria responsável pelo passivo da emissora e o pagamento dos
salários atrasados seria prioritário no contrato.
08/04/1999 – Página 2-3
Ex-ministro atua na venda da Manchete
Elvira Lobato e Anna Lee
O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros
assumiu o papel de intermediador na venda da Rede Manchete.
Anteontem à tarde, ele se reuniu com o presidente do grupo
Bloch, Pedro Jack Kapeller, na sede da emissora, no Rio. O
encontro foi confirmado à Folha pelo próprio Kapeller. (...)
Segundo Kapeller, o ex-ministro está fazendo a ligação entre a
emissora e um grupo de eventuais compradores, os quais não quis
identificar, alegando que o momento é ''delicado'' para a
empresa.
09/04/1999 – Página 2-4
Grupo faz proposta a funcionários de TV
Da Reportagem Local
O grupo TeleTV, que negocia a compra da Rede Manchete, propôs a
sindicalistas o pagamento parcelado, no prazo de 12 meses, dos
salários atrasados dos funcionários da emissora. Na reunião,
ocorrida anteontem à noite, a TeleTV (que operava sorteios na
TV, via 0900) também propôs o cancelamento das demissões
ocorridas em setembro do ano passado (cerca de 600, em todo o
país) e estabilidade de 90 dias, a partir da volta ao trabalho
dos funcionários que estão em greve. Em assembléia ontem à
tarde, os funcionários da Manchete em São Paulo aceitaram a
proposta, mas os sindicalistas vão tentar negociar a redução do
prazo do pagamento dos atrasados para oito meses. Em São Paulo,
os salários estão atrasados desde outubro do ano passado. Nos
demais Estados, os funcionários não recebem desde setembro. O
sindicato dos radialistas estima em R$ 40 milhões o valor dos
salários atrasados.Pedro Jack Kapeller, presidente do Grupo
Bloch (Manchete), se reuniu ontem com Amilcare Dallevo Jr., da
TeleTV, em São Paulo.
21/04/1999 – Página 4-4
Candidato à compra da Manchete teme fim da rede
Aline Sordili
Amílcare Dallevo Júnior, dono da TeleTV, grupo interessado na
compra da Rede Manchete, diz confiar na Justiça para a resolução
do impasse criado na semana passada, quando o ex-proprietário da
emissora Hamilton Lucas de Oliveira obteve liminar parcial,
impedindo a venda da TV Manchete. A venda da emissora deve ser
concretizada, segundo o Ministério das Comunicações, até o dia
18 de maio. Passado esse prazo, e caso não tenha ainda sido
vendida, a Manchete perderá a concessão. Sendo assim, os canais
da emissora em cada Estado terão de passar por licitação para a
concessão separadamente. Segundo assessoria do ministério, "esse
processo pode demorar muito porque a concessão tem de passar
pelo Congresso para ser aprovada". A demora no processo judicial
pode afastar Dallevo Júnior da Manchete.
06/05/1999 – Página 2-11
Desembargador julga hoje recurso contra venda da TV
Da Sucursal do Rio
O desembargador Roberto Wider, da 5ª Câmara Cível do Rio, vai
julgar hoje o recurso do empresário Hamilton Lucas de Oliveira
contra a decisão judicial que deu, em primeira instância, a
posse da TV Manchete à família Bloch. Desde 1993, Oliveira, dono
do IBF (Instituto Brasileiro de Formulários), briga na Justiça
pela posse da emissora, cuja compra negociou em 92. Alegando
não-pagamento das parcelas, a família Bloch conseguiu retomar a
TV. A venda da Manchete para o grupo Tele TV, do empresário
Amilcare Dallevo, depende da decisão de Wider.
07/05/1999 – Página 2-5
Grupo Bloch ganha na Justiça direito de posse da Manchete
Anna Lee e Aline Sordili
A família Bloch ganhou ontem na Justiça, em segunda instância, o
direito de posse da TV Manchete. A 5ª Câmara Cível do Rio julgou
improcedente, por unanimidade, o recurso de Hamilton Lucas de
Oliveira contra a decisão judicial que havia dado, em primeira
instância, a posse da emissora aos Bloch. O desembargador
Roberto Wider, relator do processo, também cassou a liminar que
concedera em favor de Oliveira, impedindo a venda da TV até que
fosse decidida a questão judicial. Com isso, poderá ser
concluída a negociação com o grupo Tele TV, do empresário
Amilcare Dallevo Júnior.
08/05/1999 – Página 2-5
Funcionários invadem Manchete
Anna Lee
Os funcionários da TV Manchete invadiram ontem o saguão da sede
da emissora no Rio. A intenção era pressionar Pedro Jack
Kapeller, presidente do grupo Bloch, a assinar o contrato de
venda da TV - o que deve ocorrer até amanhã. (...) Na invasão,
houve tumulto entre funcionários e seguranças. Um vidro da porta
chegou a ser quebrado, e policiais militares tiveram que
intervir. Kapeller chegou, aceitou conversar e assinou documento
garantindo que o contrato será assinado até amanhã.
11/05/1999 – Página 2-6
Governo analisa a venda da Manchete
Fernando Godinho
O grupo paulista TeleTV vai assumir a Rede Manchete pagando
passivos de R$ 330 milhões (e não de R$ 608 milhões), cancelando
as demissões feitas na empresa no ano passado e investindo US$
100 milhões nos próximos 12 meses. O presidente do TeleTV,
Amilcare Dallevo Junior, encaminhou ontem ao ministro Pimenta da
Veiga (Comunicações) o contrato de venda da Manchete assinado
por ele e pelo presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller
(que ainda é o dono da emissora), na madrugada de anteontem. Com
um faturamento de R$ 400 milhões no ano passado, o TeleTV só
assumirá a Manchete quando for publicado no "Diário Oficial'' da
União um decreto presidencial determinando a transferência
integral do controle acionário da emissora para o grupo
paulista. Isso ocorrerá após o Ministério das Comunicações
analisar os documentos encaminhados por Dallevo e recomendar a
edição do decreto ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
15/05/1999 – Página 2-9
Ministro assina a venda da Manchete
Da Sucursal de Brasília
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) assinou ontem um
decreto transferindo o controle acionário da Rede Manchete para
o grupo paulista TeleTV. O decreto será publicado pelo "Diário
Oficial" da União até a terça-feira, com a assinatura do
presidente Fernando Henrique Cardoso. A assessoria do ministério
explicou que a proposta do TeleTV, de Amilcare Dallevo Junior,
mostra que o grupo tem condições técnicas e financeiras de gerir
a rede. O grupo também apresentou um certificado de regularidade
emitido pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
comprovando que as dívidas da Rede Manchete foram
renegociadas.Dallevo Junior informou, na segunda-feira passada,
que as dívidas da Manchete com o INSS e com o FGTS somam cerca
de R$ 200 milhões. As dívidas com salários, bancos privados e
fornecedores chegam a R$ 130 milhões.Com a conclusão da venda, a
Presidência da República irá encaminhar ao Congresso uma
solicitação para que a concessão da emissora seja renovada.A
concessão venceu em 96, mas permite a operação de emissoras em
São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte e Recife.
22/05/1999 – Página 4-1
Funcionários se dizem aliviados
Érika Sallum
Após oito meses em greve, os funcionários da Manchete se dizem
aliviados diante das negociações com o grupo TeleTV. Segundo
Everaldo Gouveia, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São
Paulo, no dia 27 os funcionários da emissora retornam ao
trabalho em todo o país, um dia após o pagamento da primeira
parcela dos salários atrasados - as demais serão recebidas em
até 11 vezes, sem correção.
22/05/1999 – Página 4-1
Nova TV Manchete estréia em agosto com outro nome
Aline Sordili
Estréia em agosto a nova programação e o novo nome da Rede
Manchete. Amílcare Dallevo Jr., 41, atual dono da emissora,
encomendou pesquisa para a agência de publicidade Fischer,
Justus, que deve descobrir qual o nome que mais agrada à
população. A agência também cuidará do lançamento da nova
emissora. Na compra, o empresário desembolsou um total de R$ 250
milhões - entre dívidas com o governo e trabalhistas, além das
cinco concessões (São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte e
Fortaleza). (...) Dallevo não ficou com nenhum prédio ou
equipamento da Manchete. Os funcionários foram o ativo
incorporado. "Não ficamos com a TV Manchete Ltda. Nem com o seu
CGC. Essa empresa tem ainda uma dívida de cerca de R$ 80 milhões
com bancos privados", disse Dallevo.
29/05/1999
– Página 2-13
Rede TV! é o novo nome da TV Manchete
Aline Sordili
Rede TV! é o novo nome da Rede Manchete. O nome escolhido é
resultado de uma pesquisa da agência de publicidade
FischerAmérica junto à população. "Foram apresentados seis nomes
para o público e esse foi o escolhido", disse Antonio Fadiga,
diretor-geral de comunicação total da agência. Segundo ele, a
simplicidade do nome é uma tentativa de surpreender. "É um nome
que já faz parte do cotidiano das pessoas e vai virar referência
para a ex-Manchete".
01/06/1999 – Página 2-7
Manchete do Rio continua em greve
Da Sucursal do Rio
Os funcionários da Rede Manchete no Rio decidiram ontem
continuar em greve até pelo menos hoje, quando em assembléia
resolvem se voltam a trabalhar. Depois de decidir, na última
sexta-feira, retornar às suas atividades ontem, voltaram atrás.
Segundo eles, Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!, novo nome da
Manchete, não pagou a primeira parcela dos salários atrasados
para o Rio, como fez nas outras praças - São Paulo, Belo
Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília. A justificativa para o
não-pagamento, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas do Rio,
seria a recusa dos sindicatos de assinar o acordo trabalhista
acertado na época das negociações de compra da emissora.
02/06/1999 – Página 2-4
Sindicato do RJ assina acordo com TeleTV
Da Sucursal do Rio
Os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do Rio assinaram
ontem o acordo com o grupo Tele TV, comprador da Rede Manchete.
O acordo determina a forma de pagamento do passivo trabalhista
da emissora. Agora, os funcionários do Rio devem receber a
primeira parcela dos salários atrasados. Segundo os sindicatos,
assim que for feito o pagamento, será decretado o fim da greve,
que já dura nove meses.
03/06/1999 – Página 2-2
Acaba greve de funcionários da Manchete
Da Sucursal do Rio
Os funcionários da Manchete (que passa a ser Rede TV! em agosto)
no Rio decidiram terminar a greve e voltar ao trabalho na
segunda-feira. A decisão foi tomada depois que Amílcare Dallevo,
comprador da TV, pagou a primeira parcela dos salários
atrasados.Os funcionários estavam em greve havia nove meses.
Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Rio, os trabalhadores
poderiam retornar às atividades ontem, mas a empresa não tinha
infra-estrutura, como papel e cadeiras, para recebê-los.
09/06/1999 – Página 2-6
Bloch leiloa prédios para saldar dívida de R$ 140 mi
Da Sucursal do Rio
Os dois prédios-sede das empresas Bloch e da Rede TV!
(ex-Manchete) no bairro da Glória (centro do Rio) vão ser
leiloados judicialmente nos dias 14 e 15. O leilão acontece para
cobrir uma dívida de R$ 7 milhões que o grupo Bloch contraiu com
o banco Econômico há nove anos e que hoje está avaliada em R$
140 milhões. Segundo Pedro Jack Kapeller, presidente do grupo
Bloch, essa dívida é da TV Manchete e, portanto, caberia aos
novos donos da rede saldá-la. Kapeller também afirmou que tem um
documento no qual recebeu a garantia de que os compradores da
Manchete não deixariam os prédios irem a leilão. O empresário
Amílcare Dallevo disse que sua empresa, a TV Ômega Ltda., nova
dona das concessões da Manchete, assumiu apenas as dívidas com o
governo e o passivo trabalhista. Segundo ele, o ativo e o
passivo com bancos privados da antiga TV Manchete foram
assumidos por uma empresa constituída por ex-banqueiros,
liderados por Fábio Saboya.Os 1.621 funcionários da rede em todo
o Brasil também são contratados pela parte da antiga TV
Manchete, assumida por Saboya, chamada agora de TV Manchete
Ltda., apesar de Dallevo ter assumido o passivo trabalhista.
26/06/1999 – Página 2-2
Adiado outro leilão de prédio da Bloch
Da Sucursal do Rio
O leilão do prédio do grupo Bloch na rua do Russel, 804, na
Glória (zona sul), marcado para ontem, foi adiado para 28 de
julho. No dia 14 deste mês, já havia sido adiado o leilão do
prédio vizinho, o de nº 766, também sede do grupo, para 14 de
julho.
10/07/1999 – Página 2-6
BB vai à Justiça contra TV Manchete
Da Sucursal de Brasília e da Sucursal do Rio
O Banco do Brasil vai entrar segunda-feira na Justiça com uma
ação de ajuizamento contra a Bloch Editores e a TV Manchete para
exigir o pagamento de dívidas das duas empresas. A ação de
ajuizamento permite que a empresa continue funcionando. O débito
vem de acordo fechado em 1997 entre o BB e as empresas.A dívida
estava parcelada, mas com um recente atraso de pagamento o BB
decidiu ontem ir à Justiça. A diretoria do banco não pretende
pedir a falência das duas empresas.Outro ladoO empresário Fábio
Saboya Júnior, dono da TV Manchete Ltda., disse que não foi
informado sobre a ação."Recebo a notícia com tranquilidade. Numa
reunião há 20 dias com a diretoria do banco, deixei clara minha
intenção de assumir o que cabe a mim nessa dívida", disse.
15/07/1999 – Página 2-6
Leilão no Rio não atrai compradores
Da Sucursal do Rio
O leilão dos dois prédios do grupo Bloch no bairro da Glória
(zona sul do Rio), marcado para ontem, não foi realizado porque
não apareceu nenhum arrematante. Um novo leilão está previsto
para o próximo dia 26 deste mês. Os prédios foram dados em
garantia ao banco e estão avaliados pelo Justiça em cerca de R$
45 milhões. No entanto, a advogada dos sindicatos dos
jornalistas e radialistas do Rio, Cláudia Duranti, entrou ontem
com ofício na 70ª Junta de Conciliação e Julgamento, do Tribunal
Regional do Trabalho, pedindo reserva de crédito de R$ 105
milhões do que for arrecadado no leilão para pagamento das
dívidas trabalhistas da Manchete.
26/07/1999 – Página 6-1
Devedor, “Jaquito” recebeu US$ 4,5 milhões pela venda
Mônica Bergamo
A transferência da concessão de televisão da Manchete, que era
da família Bloch, para a Rede TV!, do empresário Amilcare
Dallevo Jr., torna mais remota a possibilidade de que o Banco do
Brasil receba de volta um empréstimo hoje estimado em mais de R$
70 milhões. A dívida no BB foi feita ao longo de diversos anos
por várias empresas da família Bloch e seria paga por meio de
anúncios na emissora. O problema é que a TV Manchete, embora
continue existindo, não é mais dona de um canal de televisão.
Portanto, o banco não tem onde veicular os anúncios. A família
Bloch deve ao BB desde a década de 1950. O débito chegou a R$
160 milhões, entre outras razões porque o banco pagou mais de 65
mil cheques sem fundos emitidos pelo grupo. Em 1990, o BB
executou a empresa na Justiça. Em 1997, sem ter conseguido
receber nada, tentou um acordo. Uma pequena parte da dívida foi
paga em dinheiro e em imóveis.
Outro pedaço foi parcelado em cinco anos, e a maior parte - 76%
do total - foi trocada pelo direito de veicular anúncios. O
problema é que, na operação de transferência da televisão, as
empresas da família Bloch foram divididas em três grupos. A TV,
que é uma concessão do governo, foi transferida para Amilcare
Dallevo Jr. A empresa chamada TV Manchete foi comprada pelo
banqueiro Fábio Saboya. Tem uma dívida estimada em R$ 100
milhões com vários credores e é dona de imóveis espalhados pelo
país.
A Bloch Editores, que tem revistas, rádios e gráficas, continua
nas mãos da família Bloch e é controlada por Pedro Jack
Kapeller, o "Jaquito". Os documentos obtidos pela Folha mostram
que, embora devesse milhões ao governo, Kapeller conseguiu
transferir a empresa, livrar-se de boa parte das dívidas e ainda
receber, com o conhecimento do Ministério das Comunicações, US$
4,5 milhões em sete pagamentos anuais.
Até agora, Kapeller insistia na versão de que não recebera um
tostão. Procurado pela Folha, ele não quis se manifestar. Na
negociação com o ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações,
Dallevo assumiu a TV com o compromisso de saldar apenas as
dívidas da Manchete com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade
Social) e o FGTS. O ministro não incluiu a dívida do Banco do
Brasil nas conversas. Assim, para receber o dinheiro, o BB terá
de acionar as empresas na Justiça.
27/07/1999 – Página 2-3
Caso está sob investigação
Mônica Bergamo
O Ministério Público Federal está investigando os motivos que
levaram o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a
transferir a ex-TV Manchete para o empresário Amilcare Dallevo
Jr. sem licitação. Os procuradores também estão investigando se
Dallevo tem condições financeiras de tocar o negócio. Documentos
revelados ontem pela Folha mostram que o empresário faturou R$
79,536 milhões no ano passado e não R$ 400 milhões, como
declarava. A família Bloch não pagava dívidas com o governo nem
o salário dos funcionários. Foi então que houve a transferência
da TV para Dallevo Jr. O ministério diz que a solução foi boa
porque, caso contrário, funcionários e governo teriam que
recorrer à Justiça para receber.
27/07/1999 – Página 2-3
Bloch Editores pede concordata no Rio
Da Sucursal do Rio
A Bloch Editores apresentou na última sexta-feira ao juiz da 5ª
Vara de Falências e Concordatas do Rio, José Carlos Maldonado,
pedido de concordata preventiva, pelo prazo de dois anos. O
pedido prevê o pagamento integral de R$ 250 milhões relativos a
dívidas sem garantia, em duas prestações anuais, correspondentes
a 40% e 60% do total, com o primeiro pagamento previsto para
julho de 2000. Os motivos alegados para o pedido são "a negativa
conjuntura internacional e a negativa conjuntura recessiva do
país". Além disso, a empresa alega uma crescente redução de
faturamento, de cerca de R$ 30 milhões em 1998 em relação ao ano
anterior, e "o descumprimento de obrigações contratuais pelo
grupo Hamilton Lucas de Oliveira".
A Bloch Editores detém hoje como patrimônio, segundo Bumachar,
os edifícios-sede da antiga TV Manchete e da Bloch, no Rio, os
prédios das filiais da TV em São Paulo, Belo Horizonte,
Fortaleza e Recife, o parque gráfico na zona norte do Rio, além
de máquinas, equipamentos e direitos de publicação de seis
revistas. A dívida total da Bloch Editores é avaliada, de acordo
com Bumachar, em R$ 400 milhões, e o ativo, em R$ 600 milhões.
Uma liminar concedida pelo desembargador Antônio Eduardo Duarte,
da 3ª Vara Cível do Rio, suspendeu o leilão dos prédios-sede da
Bloch e da TV, marcado para ontem. O leilão é para pagar dívida
de US$ 7 milhões que a TV Manchete contraiu com o banco
Econômico, em 92, e que hoje está avaliada em cerca de R$ 137
milhões, segundo Fábio Saboya, um dos compradores da TV junto
com Almicare Dallevo Jr..
04/11/1999 – Página 2-7
Dívidas da Manchete entram em disputa
Alexandre Maron
A juíza da 14ª Vara Cível do Rio, Rosana Navega Chagas, declarou
a TV Ômega, controladora da Rede TV!, sucessora da TV Manchete,
responsável também pelas dívidas do grupo anteriores à venda da
emissora. Na decisão, emitida no dia 20 de outubro, a juíza
afirma que não há como uma empresa comprar a concessão, e outra
as dívidas, equipamentos e imóveis, dividindo a pessoa jurídica
da Manchete.As duas empresas que compraram separadamente a
emissora - a TV Ômega, de Amilcare Dallevo, e a Hesed
Participações S/C, de Fábio Saboya Salles Jr.- deveriam ser
consideradas responsáveis pelas dívidas, como se fossem sócias.
Caso a TV Ômega não cumpra a decisão em até 45 dias após ser
notificada judicialmente - o que, segundo a assessoria de
imprensa da empresa, ainda não aconteceu -, deverá pagar uma
multa de R$ 50 mil por dia.
14/11/1999 – Página 1-1
Rede estréia programação
Sucessora da Manchete, a Rede TV! gastou R$ 100 milhões em
programas que priorizam o público jovem. Adriane Galisteu é a
maior estrela.
03/12/1999 – Página 2-2
Rede TV! não pagará atrasados
Alexandre Maron
O vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho, disse ontem
que não pagará as parcelas dos salários atrasados dos
funcionários da TV Manchete por temer que Pedro Jack Kapeller,
ex-dono da emissora, se aposse dessa quantia por meio de
manobras jurídicas. A disputa começou no dia 20 de outubro,
quando a juíza Rosana Navega Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio,
decidiu que a TV Ômega, de Carvalho e do empresário Amílcare
Dallevo, passava a ser controladora da TV Manchete.
16/12/1999 – Página 2-2
Rede TV! devolve 1.300 funcionários
Daniel Castro
A Rede TV! anunciou ontem que está "devolvendo" à TV Manchete
cerca de 1.300 funcionários que herdou da ex-rede de televisão
do grupo Bloch.Em maio deste ano, a TV Ômega Ltda. (razão social
da Rede TV!) adquiriu as concessões da Manchete assumindo os
1.600 funcionários da rede, que tiveram 90 dias de estabilidade
no emprego. Esses funcionários formalmente estavam trabalhando
para a Rede TV!, mas ainda vinculados à Manchete. Deles, 300
deverão ser contratados pela Rede TV!.Segundo Marcelo de
Carvalho, um dos sócios da Rede TV!, a maioria desses
funcionários era "virtual", já estava trabalhando em outras
empresas.Os funcionários "devolvidos" deixarão de receber
salários, mas não deverão ter seus contratos rescindidos. As
parcelas dos salários atrasados deverão ser pagas.Os sindicatos
dos radialistas de São Paulo e do Rio temem que os funcionários
devolvidos percam seus direitos trabalhistas e ameaçam fazer
greve na semana que vem.
24/12/1999 – Página 4-1
“Não somos o INSS”, diz vice
Daniel Castro
O vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho Fragali, diz
que a emissora não está passando por uma crise financeira.Também
afirma que a Rede TV! não está sendo oferecida a investidores
estrangeiros. "O Lehman Brothers nos assessorou na compra da
Manchete e preparou esse documento (o 'business plan') para
captar dinheiro no sistema financeiro. Mas, por enquanto, não
temos estrutura para emitir debêntures (títulos de créditos) no
exterior", diz. O único compromisso que o vice-presidente da
Rede TV! diz não estar em dia é o pagamento da sétima parcela
dos atrasados dos funcionários da Manchete. "O resto é boato,
bobagem ou mentira", diz. O executivo afirma que não pagou a
parcela dos atrasados vencida em novembro porque teme que o
dinheiro seja sequestrado por credores do grupo Bloch. Fragali
diz que a Rede TV! está deixando de pagar salários mensais a
cerca dos 1.300 dos 1.600 funcionários que herdou da Manchete
porque sua empresa "não é o INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social)".
25/12/1999 – Página 4-3
Grupos travam conflito na Justiça
Daniel Castro
As relações entre o ex-dono da TV Manchete, o grupo Bloch, e o
comprador, a TV Ômega, estão estremecidas desde outubro, quando
o primeiro foi à Justiça contra o segundo. Nos últimos dias, os
grupos publicaram em jornais comunicados em que se acusam
mutuamente. Quando mudou de mãos, em maio, a TV Manchete foi
dividida em duas empresas: a TV Ômega - que ficou com as
concessões e assumiu o compromisso de pagar os salários
atrasados e as dívidas com o governo, num total de R$ 280
milhões - e a Hesed Participações - que ficou com o patrimônio
da emissora e as dívidas com bancos e fornecedores, em torno de
R$ 225 milhões. Fabio Saboya, dono da Hesed, pretendia
renegociar as dívidas, vender o patrimônio e ainda ter lucro no
final da operação. Mas afirma que o grupo Bloch se recusou a
transferir a empresa (TV Manchete) para ele, o que teria
inviabilizado seu projeto. Alfredo Bumachar, advogado de Pedro
Jack Kapeller, ex-presidente da Manchete, diz que a Hesed
apareceu na "última hora" e que foi uma imposição da Rede TV!.
(...)
A pedido de Kapeller, a Justiça decidiu, provisoriamente, que a
TV Ômega é sucessora de todas as dívidas da Manchete, inclusive
da parte que ficou com a Hesed. Por causa disso, a Ômega deixou
de pagar os salários atrasados dos funcionários. Nesta semana, a
Rede TV! publicou comunicado em jornais afirmando que o grupo
Bloch vendeu o patrimônio da Manchete a "outro grupo
empresarial" (Hesed) e que a ação de Kapeller é "infundada".
Kapeller respondeu dizendo que "a TV Ômega pretende confundir a
Justiça e a opinião pública".
No próximo tópico, vamos relatar a situação atual das pendências
jurídicas entre a TV Ômega a TV Manchete. |
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Pesquisa e texto:
Thell de Castro
Última atualização:
01 de fevereiro de 2007 |
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