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HISTÓRIA DA TV MANCHETE
1993-1999: O FIM DO IMPÉRIO DOS BLOCH
Considerações sobre a falência da Rede Manchete
Os motivos que levaram a emissora à falência

Foi possível acompanhar, através do noticiário do jornal Folha de São Paulo do ano de 1999, tudo o que aconteceu nos últimos momentos de existência da Rede Manchete. Analisando a história completa da emissora, verificam-se três motivos principais para a situação de falência: má gestão, falta de conhecimento para gerenciar uma televisão e utilização de capital maior do que o possível e muitas vezes necessário, através da obtenção de empréstimos, a maioria conseguido a base de troca de favores políticos, como destaca Conti (1999).

A mesma opinião podemos observar na entrevista do advogado que prestou serviços para a TV Excelsior, José Dias, a Gonçalo Junior. “Porque a Manchete quebrou? Quem foi dirigir a emissora? O sobrinho de Adolpho Bloch, Jaquito, que não entende absolutamente nada de televisão. A primeira coisa que tem de fazer quando se compra uma emissora é colocar no comando quem entende do assunto. Senão, vai quebrar. Não tenha dúvida disso. É um negócio muito peculiar. É como colocar na direção da Gazeta Mercantil um sujeito que tem uma quitanda. Quando entrar lá, ele vai se perder por que se trata de uma publicação muito específica, dirigida a empresários e homens de negócio. Acredito que se você colocar lá o Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-diretor da Rede Globo], que mais entende de TV no Brasil, ele quebrará a Gazeta Mercantil em dois meses”. (Moya, 2004, p. 328).

Ainda sobre os motivos da falência da Rede Manchete e do Grupo Bloch, observamos em Conti (1999), algumas das artimanhas utilizadas por Adolpho Bloch para conseguir capital para a emissora, numa demonstração clara de má gestão administrativa e financeira.

“Entre 1987 e 1988 – uma auditoria revelou – Adolpho Bloch assinou a extraordinária quantia de 28 mil cheques sem fundo, que somaram 50 milhões de dólares. Arrumou outros 11 milhões de dólares com 2 mil duplicatas frias. Os cheques sem fundo eram transformados automaticamente em empréstimos, dificilmente resgatáveis. Bloch emitia uma nota fiscal contra um comprador de publicidade fictício, fazia uma duplicata fria e a descontava no banco. Quando vencia a dívida, o banco procurava o devedor e não o encontrava, pelo bom motivo de que ele não existia”. (Conti,1999, p.517).

Adolpho Bloch, que entendia muito sobre gráficas e publicação de revistas, não tinha o conhecimento necessário para gerenciar uma televisão. Além disso, os gastos saíram além do planejado, como o próprio empresário afirmou, dizendo que preferia continuar investindo em gráficas e livros. É célebre uma frase atribuída a Bloch: “Quando tiver que tirar um níquel de minhas revistas, vendo a TV”. Não foi o que aconteceu. E o império dos Bloch ruiu.
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Pesquisa e texto:
Thell de Castro
Última atualização:
01 de fevereiro de 2007
 
 
Criação e direção: Thell de Castro
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