sw/TH Online  

TELE HISTÓRIA

 

BLOG TH

 

REVISTA TH

 

FALE CONOSCO

 
 
 

PUBLICIDADE
 
 
 
     BUSCA TH
         Powered by Google
   
 Tele História

 
EMISSORAS   ESPORTIVOS   INFANTIS   HUMORÍSTICOS   JORNALÍSTICOS

NOVELAS

PROGRAMAS

 
ARTISTAS   AUTORES   JORNALISTAS   PERSONALIDADES   CONT. REMOTO

REVISTA TH

QUEM SOMOS

   
  REVISTA TH
 

Edição atual | Edições anteriores | Expediente | Linha do tempo da TV brasileira | Você e a TV | Troféu TH | THTV

Listas do TH | Colunas & artigos | TH Cinema | TH Séries | Seu Canal | Links da TV | Você pergunta | Sua majestade, o Ibope

 
 
 
REPORTAGEM DE CAPA
 
 
Por que todo mundo vê o BBB?
 
 
A história de sucesso do reality show que se transformou em fenômeno de audiência e faturamento no mundo inteiro, mas no Brasil conquistou sucesso ainda maior através da Rede Globo
 

Thell de Castro
Editor da Revista TH
thelldecastro@telehistoria.com.br

 

Ela acompanha o “Big Brother Brasil” dia e noite através do canal pay-per-view. Conta o que acontece na casa quase em tempo real em seu blog e ainda dá suas opiniões. Essa é Paty Pegorin, 21 anos, webdesigner e tecnóloga em informática de Americana (SP). Assim como Paty, milhões de pessoas acompanham freneticamente a maratona diária do BBB durante três meses do ano.

Até 2002, verão era sinônimo de reprises na televisão. As emissoras não lançavam nenhuma novidade, as novelas continuavam normalmente, enquanto séries, programas e filmes eram reprisados à exaustão, nos chamados “melhores momentos” do ano anterior. A situação mudou a partir de 2002, quando a Rede Globo lançou o BBB.

Tudo bem que Silvio Santos havia lançado a “Casa dos Artistas” meses antes, com imenso sucesso, mas nada abalou o futuro do programa da Rede Globo, cujo formato foi comprado da Endemol – esta repassou sua criação para países do mundo inteiro, obtendo sucesso em praticamente todos.
 
Divulgação/TV Globo

Pedro Bial e Marisa Orth conversam com os
participantes do "BBB 1" nos primeiros dias do reality
O começo do reality show, para falar a verdade, não foi dos melhores: a dupla escolhida para comandá-lo, Pedro Bial e Marisa Orth, não deu liga.

Poucos dias depois, a atriz foi limada da apresentação, enquanto Bial prosseguiu, firme e forte, e se consagrou junto com a atração.

A segunda edição aconteceu em 2002 mesmo, inclusive durante a Copa do Mundo vencida pelo Brasil – ajudava o fato do torneio ser disputado na Coréia e no Japão, pois os jogos aconteciam apenas de madrugada e início da manhã. Depois disso, o BBB se estabeleceu entre janeiro e março.

Saltamos de 2002 para 2007. Chegamos à sétima edição do BBB. Muita gente nem previa que o programa duraria tanto tempo, mas está aí. Dezenas de participantes já passaram pela casa, seis foram coroados como vencedores e mais um milionário ou milionária está a caminho.

No entanto, várias perguntas não se calam: por que o BBB deu certo e dá tanta audiência? O que chama tanta atenção dos telespectadores no programa? Será que se fosse exibido por outra emissora daria tão certo? Para tentar esclarecer essas e outras dúvidas e debater o assunto, a Revista TH ouviu jornalistas, especialistas e fãs do reality show.

Uma pesquisa da Folha Online publicada no dia da estréia do BBB 7 apontou preguiça (27%), cultura do grotesco (21%), voyeurismo e falta de opções na TV (empatadas em 18%), explicam o sucesso do programa.

Em entrevista à Revista TH, a jornalista Leila Reis, presidente da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e colunista aos domingos no jornal O Estado de S. Paulo, contou que acompanha o programa – em virtude de seu trabalho e também porque gosta –, não concorda com o resultado da enquete.
 
“Eu discordo com grotesco, isso não existe. Eu considero que quem dá uma olhada e tem preguiça de mudar até existe, mas tem essa curiosidade pelo que as pessoas são. A história de olhar pelo buraco da fechadura é atraente, a fofoca e o olhar a vida dos outros é milenar”, comenta. “O que mais atrai é essa coisa de ver a pessoa se comportar na intimidade, mas tem também a coisa da competição. O jogo, torcer por alguém, isso atrai o telespectador”, completa.

Divulgação/APCA

A jornalista Leila Reis acompanha o BBB em virtude
de seu trabalho e também porque gosta do programa

Paty, criadora e mantenedora do blog BBB Virtual, onde conta tudo o que acontece na casa para quem não tem pay-per-view e recebe mais de três mil visitas por dia, também não concorda. “Simplesmente não havia nenhuma opção inteiramente positiva na enquete. No item preguiça, a opção sugeria que pelo baixo nível apresentado pelos participantes não se exigiria esforço mental do telespectador, e isso em partes é um absurdo. Se você visitar os blogs e sites especializados em BBB, verá que existe muita gente interessante, inteligente e bem informada assistindo ao programa e comentando as variantes do jogo, as situações e personalidades. Essa fatia do público gosta do programa e assiste até como uma forma de entender um pouco mais sobre a complexidade dos relacionamentos, e vê na discussão do que ocorre na casa uma fonte interessante de novas amizades e aprendizados”, comenta.

O leitor da Folha Online Rodrigo Morais e Silva, que enviou comentário para o jornal, disse que “como se já não bastasse o lixo que o BBB representa para a televisão brasileira, a Globo ainda dá uma lição de discriminação, escolhendo a dedo os participantes e excluindo as pessoas de origem humilde, os negros e os gordos. Isso é uma vergonha pra nós brasileiros”.
 
Divulgação/TV Globo

Participantes do "BBB 6", em 2006
Hugo R. C. Souza, em seu artigo “Antropologia de heróis e vilões”, publicado no site Observatório da Imprensa em 22 de fevereiro de 2005, afirma que “o real espírito esportivo do Big Brother não escapa do modo de funcionamento da indústria midiática em geral, cuja produção de sentidos cotidiana não foge da lógica que deságua sempre na tentativa de identificação de heróis e vilões, mocinhos e bandidos”.

Rosemeire Zago, psicóloga clínica com abordagem junguiana, citou alguns dos motivos que fazem do BBB um sucesso nacional em artigo no site Vya Estelar. “Alguns dizem que querem ver como vivem os famosos que participam, ou como as pessoas convivem ou representam, ou ainda, a simples curiosidade. E eu pergunto: curiosidade de quê? O que pode ter de diferente em escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa? Ou ver beijos, abraços, amassos embaixo ou em cima do edredom? O que pode ter que não vemos ou vivenciamos na nossa própria casa? Acredito que as hipóteses são muitas, afinal a maior parte das pessoas se sente infeliz. Vivemos tanta pressão, insatisfação, decepção, carência, solidão, amores que não dão certo, desencontros, expectativas frustadas, que muitas vezes não sabemos lidar com tudo isso. Buscamos, ainda que inconscientemente, aprovação, reconhecimento e nem sempre conseguimos”, diz um trecho do artigo.

Já a pesquisadora Cosette Castro salienta as novas possibilidades abertas pelo programa. Segundo ela, o BBB cria heróis a partir de pessoas ordinárias, desmistificando assim o processo de produção de mitos, já que a audiência percebe que o topo não é inalcançável, ou seja, qualquer um pode se transformar em estrela da televisão brasileira.

Lá dentro não é fácil

É evidente que quem participa da sétima edição do BBB já vai para o confinamento preparado, sabendo o que deve fazer para tentar se manter dentro do jogo e não ser eliminado no paredão. Mas nem sempre o que é fácil assistir na televisão mostra-se tranqüilo quando se está do outro lado.

Além dos brothers e sisters, essa sensação foi vivenciada por nove jornalistas brasileiros, de O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Dia, Jornal da Tarde, Extra, Diário de S. Paulo e da agência TV Press. Eles foram convidados pela Rede Globo e passaram cinco horas dentro da casa dias antes da estréia da sétima edição, no início do ano. Para entrar na casa, tiveram que deixar quase tudo fora: caneta, relógio, celular, bloquinho... Resultado: sentiram na pele o que passa um BBB dentro da casa.

 
A jornalista Cristina Padiglione, editora do caderno TV&Lazer do jornal O Estado de S. Paulo foi uma das que participaram da ‘experiência’. Ela contou as sensações na matéria “A barra de ser BBB”, publicada no dia 07 de janeiro. “Por maior que seja o impacto das chamadas que a Globo bomba no ar com a mega-estrutura do seu Big Brother Brasil, não é humano dimensionar a sensação de ocupar aquele cenário milimetricamente produzido para a escolta de 36 câmeras”, escreveu.

Divulgação/TV Globo

Câmera da Rede Globo trabalha dentro da
casa, escondido atrás de um dos espelhos:
vigilância total 24 horas por dia

Cristina relatou que colocou um microfone na roupa e entrou na casa. Em pouco tempo, todos pareciam amigos de infância e falavam sem se lembrar que estavam com o microfone. Constatação: é o que você vê na telinha durante os meses que o programa fica no ar. Se em apenas cinco horas deu para sentir tudo isso, imagine 90 dias, tempo que os dois primeiros colocados passam confinados?

“A emissora começou a fazer algumas mudanças no formato, mas todo mundo sabe que tem que chegar lá e arrumar um namorado, por exemplo. A Cristina foi e disse que depois de uma hora você vira amigo íntimo de alguém que nunca viu e acaba relaxando. Não dá para interpretar o tempo todo, ser ator”, ressalta Leila Reis.

No entanto, apesar das inúmeras dificuldades, também existem as vantagens de participar, por exemplo, da sétima edição. “Na primeira edição tudo era novidade, ninguém sabia direito do que se tratava o Big Brother e como funcionaria aqui no Brasil, então podíamos ver pessoas mais livres e com dúvidas que ainda não haviam sido respondidas. Na edição atual, os integrantes já abem como funciona o jogo, o que cativa o público. Carol e Analy, por exemplo, sabem praticamente tudo das edições anteriores, parecem duas especialistas”, lembra Paty.

Você participaria?

Para finalizar esta primeira parte, uma pergunta para Leila Reis e Paty Pegorin. Vocês participariam ou incentivariam algum conhecido a participar?
 
TH Imagem

Paty Pegorin acompanha o
BBB 24 horas por dia
“Aconselharia e até filmaria a inscrição deles para enviar, simplesmente porque acho uma experiência maluca e única, que acaba sendo interessante até mesmo para o auto-conhecimento. Sentir na prática como você reagiria diante de situações de pressão extrema acaba ensinando muita coisa, querendo ou não. E ainda tem a chance de sair milionário da casa”, destaca Paty.

Já Leila Reis enfatiza: nunca participaria de algo assim. “Para todo mundo que vai ali, o que menos interessa é o dinheiro. Todos querem aparecer na TV, ou para virar artista, ou para ser visto pelos parentes, tem aquela coisa da projeção. Estar na televisão é sair do anonimato”, afirma.

Duas respostas completamente distintas, que realmente mostram a diversidade de pessoas que acompanham o reality show.

 
 LEIA MAIS
Por que todo mundo vê o BBB?
 
No BBB, todos querem ser artistas (até que provem o contrário)
 
Quando será que a fórmula do BBB vai se desgastar?
 
Para psicólogo, votar no paredão é forma de se “sentir” Deus
 
Multishow e pay-per-view também lucram com “BBB”
 
"BBB" também movimenta a internet
 
Sexo no BBB 2: Jéferson e Tarciana
 
Artigo - Big Palavrão, Brother!
   
 
 

ÍNDICE

ANO 1 | Nº 4 | Fevereiro de 2007
capa
Por que todo mundo vê o BBB?
 
No BBB, todos querem ser artistas (até que provem o contrário)
 
Quando será que a fórmula do BBB vai se desgastar?
 
Para psicólogo, votar no paredão é uma forma de se “sentir” Deus
 
Multishow e pay-per-view também lucram com “BBB”
 
"BBB" também movimenta a internet
 
Sexo no BBB 2: Jéferson e Tarciana
 
Artigo - Big Palavrão, Brother!
reportagem especial
O esporte e a televisão brasileira
 
Há qualidade na cobertura jornalística esportiva brasileira?
 
A cultura esportiva das emissoras brasileiras
 
A assessoria de imprensa nos esportes
 
E se o tênis de mesa fosse transmitido?
 
Os contratos milionários do futebol
 
Patrocinador espera dar visibilidade à marca e valorizar equipe apoiada
 
Montanaro fala sobre o pouco espaço dos outros esportes na TV
 
Jogo rápido com Carlos Henrique Moreira, sócio da TopSports
esta é sua vida
O estrangeiro mais brasileiro de todos os tempos
 
Como chegar aos 50 anos de televisão com pique e sucesso?
 
TV Continental, teatro e ditadura militar
 
Atualmente, Adler narra futebol americano na Hungria
 
O reconhecimento de Luiz Salém
reportagem especial
A moda nas novelas de época
 
Especialista avalia figurinos de época
 
Entrevista com maquiador Guilherme Pereira
reportagem especial
Merchandising social nas novelas ajuda a população
 
Os vários tipos de hepatite
máquina do tempo
Rede Globo, 1971
 
Veja entrevistou Roberto Marinho
 
Entenda o caso Globo/Time-Life
casos de sucesso
Jorge Zaidan leva informação aos produtores de todo o Brasil
 
Amigos e parceiros falam de Jorge Zaidan
perfil
Mário Lúcio de Freitas
marcas que marcam
Cavalo de Aço e seus "filhotes" pelo Brasil
tv curiosa
Autor de "Vidas Opostas", em 2002, disse que sabia como vencer a TV Globo
 
TH INDICA
BBB Virtual
 
BBB - Site oficial
 
Rede Globo - Site oficial
 
Folha Online
 
O Estado de S. Paulo
 
Observatório da Imprensa
 
Vya Estelar
 
 
VOCÊ COMENTA
Comente esta matéria
 

Envie seu comentário

 
 
 
Criação e direção: Thell de Castro
© Tele História | Caso alguma foto inserida neste site seja protegida por direitos autorais ou esteja sem o devido crédito, favor enviar um e-mail
Quem somos | Equipe | Contato | Seu Canal | TH no Orkut |
Perguntas freqüentes