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Existem coisas ou
momentos que marcam a vida da gente. O primeiro
beijo, a primeira bicicleta, a primeira visita ao
mar, enfim, são fatos que integram nossas lembranças
de infância ou já na idade adulta. Propagandas,
comerciais, jingles, revistas, brinquedos, quando
relembrados, seja através de e-mails, fotos ou
vídeos, remetem-nos, muitas vezes, a momentos de
nossa vida que jamais gostaríamos que tivessem
acabado.
Reprodução/Almanaque da TV Globo

Tarcísio
Meira, Betty Faria e moto que
deu nome à novela |
A Revista TH começa, a partir desta edição, a
despertar nossa memória para fatos ou situações que
marcaram a vida de algumas pessoas, como a novela da
Rede Globo, exibida em 1973, que trazia, em sua
trama, um personagem pilotando uma moto que fez
muito sucesso naquela época. Estamos falando da
Honda CB 750, conhecida na novela, que leva o mesmo
nome, por “Cavalo de Aço”. |
Escrita por Walter Negrão e dirigida por Walter
Avancini, “Cavalo de Aço” foi produzida e exibida de
24 de janeiro a 21 de agosto de 1973, às 20 horas,
no principal horário de novelas da Rede Globo.
Rodrigo Soares (Tarcísio Meira) chega à cidade de
Vila da Prata, interior do Paraná, com sua possante
moto, a cavalo de aço, disposto a se vingar do velho
Max (Ziembinski), que assassinara a sua família e
lhe roubara os bens. No decorrer da trama, Max é
assassinado por Lenita (Arlete Salles), por questões
familiares. Em meio às disputas, Rodrigo fica
dividido entre o amor de Miranda (Glória Menezes),
fazendeira rude, e Joana (Betty Faria), filha de
Max.
Na novela, os principais personagens apareciam com
suas motos, a maioria de grande cilindrada, que
fazia o público masculino vibrar com as máquinas
possantes.
Você sabia que cavalo de aço é como os grileiros
chamavam as moto-serras usadas no corte dos
pinheiros na Mata de Pinheiros, região de Coronel
Vivida, Paraná, onde foram gravados os capítulos
iniciais da trama?
A partir da exibição da novela, que marcou época,
seu título foi utilizado nos mais variados
empreendimentos. Atualmente, temos autódromos, times
de futebol, clube de motoqueiros, loja de peças de
motos, entre outros, que levam o nome Cavalo de Aço.
São exemplos de como uma marca, um personagem, um
produto, ou uma novela, podem influenciar a vida e
os projetos de uma pessoa ou de um grupo.
Em Joaçaba, cidade do interior catarinense, famosa
pelo seu carnaval de rua, existe o Autódromo Cavalo
de Aço, que sedia duas etapas do Campeonato
Catarinense de Automobilismo. Seu traçado é um dos
mais seletivos de média/alta velocidade, com retas e
curvas que exigem grande perícia e habilidade dos
competidores. O autódromo, que reúne cerca de cinco
mil espectadores e 70 pilotos a cada prova
realizada, é uma das mais tradicionais praças
esportivas de velocidade em piso de terra do Estado
e do Sul do Brasil.
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Ainda no Sul, em Panambi, Rio Grande do Sul, o Moto
Clube Cavalo de Aço nos dá um exemplo de como
algumas marcas realmente marcam. “O clube foi
fundado no dia 13 de outubro de 1979 por um grupo de
motociclistas com o objetivo de promover a
aproximação e a integração desta classe, que possui
em comum a paixão pelo motociclismo”, conta o
vice-presidente
Luis Braitembach, que confirma: o
nome da entidade foi escolhido por causa da novela,
que foi muito comentada na época. |
Divulgação

Sede do
Moto Clube Cavalo de Aço, de Panambi (RS) |
O clube possui 80
sócios e está dividido em cinco grupos: os
estradeiros, adeptos às viagens e encontros de
motociclistas; motocross, que amam o cross;
trilheiros, aqueles que curtem aventuras em trilhas;
moto turismo, adeptos somente do turismo e futebol,
com os apaixonados pelo esporte.
Braitembach explica que,
na área do clube, que conta com 3,6 hectares, existe
uma sede social com 210 m2, uma pista de
motocross e um campo de futebol.
Arquivo pessoal

Luiz
Braitembach, vice-presidente do Moto Clube
Cavalo de Aço, durante um dos encontros |
Os
encontros acontecem todas as quartas na sede do
clube, onde existe fartura da tradicional comida
gaúcha, o churrasco. Ocorrem, em média, três eventos
por ano: o “Churrascaço”, do qual participam os
moto-grupos regionais; o “Motocross”, com a
participação de cidades vizinhas durante o dia e
Panambi correndo durante a noite; e o “Trilhaço”,
uma prova por terrenos bem irregulares, entre
trilhas e selvas. |
“É com articulação e participação
de várias empresas locais que o Moto Clube Cavalo de
Aço consegue idealizar e efetivar seus projetos, que
hoje estão à disposição de toda a comunidade Panambiense e regional”, conclui
Braitembach.
Do outro lado do país, em Imperatriz, sul do
Maranhão, o principal
clube de futebol profissional da cidade é
o Imperatriz (Sociedade Imperatriz de Desportos),
cujo apelido é “Cavalo de Aço”. O clube foi
campeão maranhense em 2005 e ficou em terceiro lugar
em 2006. Seu uniforme consiste de camisa vermelha,
calção branco e meias vermelhas, e seu mascote é o
"Cavalo de Aço". A torcida se intitula “Falange de
Aço e Fiéis Cavalinos”, estando sempre presente nas
partidas de seu time.
| Em
Ribeirão Preto, interior de São Paulo, existe uma
tradicional loja de motos com o mesmo nome da
novela. Osni Zambonini, 46 anos, proprietário da
loja, conta que “Cavalo de Aço” foi escolhido pelo
seu tio, na época em que passava a novela. O nome
revela a paixão de Zambonini por motos. “Da novela
eu me lembro muito pouco, mas a moto fez muito
sucesso na época”, comenta. |
Daniel Smith/TH Imagem

Fachada da
loja Cavalo de Aço, em Ribeirão Preto |
A moto
A moto
que o personagem Rodrigo usava na novela era uma
Honda CB 750 K2 ano 1973. O modelo chegou ao Brasil
em 1969 e logo se tornou uma referência em alta
cilindrada, ganhando o apelido de “sete-galo”, já
que o número 50 corresponde ao galo no jogo do
bicho. Cada ano-modelo era identificado por uma
designação, que acompanhava a evolução da moto: a
vendida até outubro de 1970 era a CB 750 K0
(K-zero); de novembro de 1970 a dezembro de 1971, a
K1; de janeiro de 1972 a junho de 1976, a K2.
Reprodução

Uma moto
Honda CB 750 K2, ano 1973, foi utilizada por
Tarcísio Meira na novela |
Em seu
lançamento, em março de 1969, a CB 750 foi
reconhecida pela imprensa especializada como a mais
sofisticada e avançada da época, se tornando o marco
da entrada da motocicleta na era moderna. A moto
pesa 235 Kg e tem 67 cavalos de potência, que a faz
chegar a 200 Km/h de velocidade máxima.
O brasileiro gosta muito de motos, tanto é que rodam
pelo País atualmente aproximadamente 5,4 milhões de
unidades, quase metade delas com até três anos de
uso. O baixo valor das prestações na compra de uma
moto e o fato de serem uma alternativa ao trânsito
pesado das grandes cidades são as principais
justificativas para o crescimento acelerado desse
mercado.
De acordo com pesquisa do Sindicato Nacional dos
Fabricantes de Autopeças (Sindipeças), 56% das motos
em circulação são modelos com entre 105 e 135
cilindradas. Versões com 150 a 200 cc correspondem a
18% da frota, e as de 50 a 100 cc, representam 16%.
Modelos de 225 a 360 cc são 7% da frota e as mais
potentes, normalmente importadas, respondem por 3%
do total. |