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MARCAS QUE MARCAM
 
 
Cavalo de Aço
 

Time de futebol, loja de moto peças, clube de motoqueiros... A novela “Cavalo de Aço”, de 1973, gerou uma série de “filhotes” pelo Brasil

 

Daniel Smith
Repórter da Revista TH
danielsmith@telehistoria.com.br

 

Existem coisas ou momentos que marcam a vida da gente. O primeiro beijo, a primeira bicicleta, a primeira visita ao mar, enfim, são fatos que integram nossas lembranças de infância ou já na idade adulta. Propagandas, comerciais, jingles, revistas, brinquedos, quando relembrados, seja através de e-mails, fotos ou vídeos, remetem-nos, muitas vezes, a momentos de nossa vida que jamais gostaríamos que tivessem acabado.
 
Reprodução/Almanaque da TV Globo

Tarcísio Meira, Betty Faria e moto que
deu nome à novela
A Revista TH começa, a partir desta edição, a despertar nossa memória para fatos ou situações que marcaram a vida de algumas pessoas, como a novela da Rede Globo, exibida em 1973, que trazia, em sua trama, um personagem pilotando uma moto que fez muito sucesso naquela época. Estamos falando da Honda CB 750, conhecida na novela, que leva o mesmo nome, por “Cavalo de Aço”.

Escrita por Walter Negrão e dirigida por Walter Avancini, “Cavalo de Aço” foi produzida e exibida de 24 de janeiro a 21 de agosto de 1973, às 20 horas, no principal horário de novelas da Rede Globo. Rodrigo Soares (Tarcísio Meira) chega à cidade de Vila da Prata, interior do Paraná, com sua possante moto, a cavalo de aço, disposto a se vingar do velho Max (Ziembinski), que assassinara a sua família e lhe roubara os bens. No decorrer da trama, Max é assassinado por Lenita (Arlete Salles), por questões familiares. Em meio às disputas, Rodrigo fica dividido entre o amor de Miranda (Glória Menezes), fazendeira rude, e Joana (Betty Faria), filha de Max.

Na novela, os principais personagens apareciam com suas motos, a maioria de grande cilindrada, que fazia o público masculino vibrar com as máquinas possantes.

Você sabia que cavalo de aço é como os grileiros chamavam as moto-serras usadas no corte dos pinheiros na Mata de Pinheiros, região de Coronel Vivida, Paraná, onde foram gravados os capítulos iniciais da trama?

A partir da exibição da novela, que marcou época, seu título foi utilizado nos mais variados empreendimentos. Atualmente, temos autódromos, times de futebol, clube de motoqueiros, loja de peças de motos, entre outros, que levam o nome Cavalo de Aço. São exemplos de como uma marca, um personagem, um produto, ou uma novela, podem influenciar a vida e os projetos de uma pessoa ou de um grupo.

Em Joaçaba, cidade do interior catarinense, famosa pelo seu carnaval de rua, existe o Autódromo Cavalo de Aço, que sedia duas etapas do Campeonato Catarinense de Automobilismo. Seu traçado é um dos mais seletivos de média/alta velocidade, com retas e curvas que exigem grande perícia e habilidade dos competidores. O autódromo, que reúne cerca de cinco mil espectadores e 70 pilotos a cada prova realizada, é uma das mais tradicionais praças esportivas de velocidade em piso de terra do Estado e do Sul do Brasil.
 
Ainda no Sul, em Panambi, Rio Grande do Sul, o Moto Clube Cavalo de Aço nos dá um exemplo de como algumas marcas realmente marcam. “O clube foi fundado no dia 13 de outubro de 1979 por um grupo de motociclistas com o objetivo de promover a aproximação e a integração desta classe, que possui em comum a paixão pelo motociclismo”, conta o vice-presidente Luis Braitembach, que confirma: o nome da entidade foi escolhido por causa da novela, que foi muito comentada na época.

Divulgação

Sede do Moto Clube Cavalo de Aço, de Panambi (RS)

O clube possui 80 sócios e está dividido em cinco grupos: os estradeiros, adeptos às viagens e encontros de motociclistas; motocross, que amam o cross; trilheiros, aqueles que curtem aventuras em trilhas; moto turismo, adeptos somente do turismo e futebol, com os apaixonados pelo esporte. Braitembach explica que, na área do clube, que conta com 3,6 hectares, existe uma sede social com 210 m2, uma pista de motocross e um campo de futebol.
 
Arquivo pessoal

Luiz Braitembach, vice-presidente do Moto Clube
Cavalo de Aço, durante um dos encontros
Os encontros acontecem todas as quartas na sede do clube, onde existe fartura da tradicional comida gaúcha, o churrasco. Ocorrem, em média, três eventos por ano: o “Churrascaço”, do qual participam os moto-grupos regionais; o “Motocross”, com a participação de cidades vizinhas durante o dia e Panambi correndo durante a noite; e o “Trilhaço”, uma prova por terrenos bem irregulares, entre trilhas e selvas.

“É com articulação e participação de várias empresas locais que o Moto Clube Cavalo de Aço consegue idealizar e efetivar seus projetos, que hoje estão à disposição de toda a comunidade Panambiense e regional”, conclui Braitembach.

Do outro lado do país, em Imperatriz, sul do Maranhão, o principal
clube de futebol profissional da cidade é o Imperatriz (Sociedade Imperatriz de Desportos), cujo apelido é “Cavalo de Aço”. O clube foi campeão maranhense em 2005 e ficou em terceiro lugar em 2006. Seu uniforme consiste de camisa vermelha, calção branco e meias vermelhas, e seu mascote é o "Cavalo de Aço". A torcida se intitula “Falange de Aço e Fiéis Cavalinos”, estando sempre presente nas partidas de seu time.
 
Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, existe uma tradicional loja de motos com o mesmo nome da novela. Osni Zambonini, 46 anos, proprietário da loja, conta que “Cavalo de Aço” foi escolhido pelo seu tio, na época em que passava a novela. O nome revela a paixão de Zambonini por motos. “Da novela eu me lembro muito pouco, mas a moto fez muito sucesso na época”, comenta.

Daniel Smith/TH Imagem

Fachada da loja Cavalo de Aço, em Ribeirão Preto

A moto

A moto que o personagem Rodrigo usava na novela era uma Honda CB 750 K2 ano 1973. O modelo chegou ao Brasil em 1969 e logo se tornou uma referência em alta cilindrada, ganhando o apelido de “sete-galo”, já que o número 50 corresponde ao galo no jogo do bicho. Cada ano-modelo era identificado por uma designação, que acompanhava a evolução da moto: a vendida até outubro de 1970 era a CB 750 K0 (K-zero); de novembro de 1970 a dezembro de 1971, a K1; de janeiro de 1972 a junho de 1976, a K2.
 
Reprodução

Uma moto Honda CB 750 K2, ano 1973, foi utilizada por Tarcísio Meira na novela

Em seu lançamento, em março de 1969, a CB 750 foi reconhecida pela imprensa especializada como a mais sofisticada e avançada da época, se tornando o marco da entrada da motocicleta na era moderna. A moto pesa 235 Kg e tem 67 cavalos de potência, que a faz chegar a 200 Km/h de velocidade máxima.

O brasileiro gosta muito de motos, tanto é que rodam pelo País atualmente aproximadamente 5,4 milhões de unidades, quase metade delas com até três anos de uso. O baixo valor das prestações na compra de uma moto e o fato de serem uma alternativa ao trânsito pesado das grandes cidades são as principais justificativas para o crescimento acelerado desse mercado.

De acordo com pesquisa do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças), 56% das motos em circulação são modelos com entre 105 e 135 cilindradas. Versões com 150 a 200 cc correspondem a 18% da frota, e as de 50 a 100 cc, representam 16%. Modelos de 225 a 360 cc são 7% da frota e as mais potentes, normalmente importadas, respondem por 3% do total.

   
 
 

ÍNDICE

ANO 1 | Nº 4 | Fevereiro de 2007
capa
Por que todo mundo vê o BBB?
 
No BBB, todos querem ser artistas (até que provem o contrário)
 
Quando será que a fórmula do BBB vai se desgastar?
 
Para psicólogo, votar no paredão é uma forma de se “sentir” Deus
 
Multishow e pay-per-view também lucram com “BBB”
 
"BBB" também movimenta a internet
 
Sexo no BBB 2: Jéferson e Tarciana
 
Artigo - Big Palavrão, Brother!
reportagem especial
O esporte e a televisão brasileira
 
Há qualidade na cobertura jornalística esportiva brasileira?
 
A cultura esportiva das emissoras brasileiras
 
A assessoria de imprensa nos esportes
 
E se o tênis de mesa fosse transmitido?
 
Os contratos milionários do futebol
 
Patrocinador espera dar visibilidade à marca e valorizar equipe apoiada
 
Montanaro fala sobre o pouco espaço dos outros esportes na TV
 
Jogo rápido com Carlos Henrique Moreira, sócio da TopSports
esta é sua vida
O estrangeiro mais brasileiro de todos os tempos
 
Como chegar aos 50 anos de televisão com pique e sucesso?
 
TV Continental, teatro e ditadura militar
 
Atualmente, Adler narra futebol americano na Hungria
 
O reconhecimento de Luiz Salém
reportagem especial
A moda nas novelas de época
 
Especialista avalia figurinos de época
 
Entrevista com maquiador Guilherme Pereira
reportagem especial
Merchandising social nas novelas ajuda a população
 
Os vários tipos de hepatite
máquina do tempo
Rede Globo, 1971
 
Veja entrevistou Roberto Marinho
 
Entenda o caso Globo/Time-Life
casos de sucesso
Jorge Zaidan leva informação aos produtores de todo o Brasil
 
Amigos e parceiros falam de Jorge Zaidan
perfil
Mário Lúcio de Freitas
marcas que marcam
Cavalo de Aço e seus "filhotes" pelo Brasil
tv curiosa
Autor de "Vidas Opostas", em 2002, disse que sabia como vencer a TV Globo
 
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