Arquivo pessoal

Mário Lúcio
de Freitas |
Ator,
apresentador, músico, compositor, publicitário,
produtor, dublador... Esses são alguns dos trabalhos
desenvolvidos por
Mário Lúcio de Freitas, que conta
com mais de 50 anos de carreira – começou em 1952,
aos quatro anos, no Circo Marabá, de seu pai, e 47
anos de televisão, desde que ingressou na TV
Paulista, de São Paulo, em 1960.
Depois de atuar como o palhacinho Fominha no
Circo Marabá, Mário Lúcio começou na televisão,
participando do “Parque de Diversões Cremogema”, ao
lado de Mariuza, Márcia Cardeal e Maria Martha
Francisco. |
Ainda nos anos 60, participou de um marco
da história da televisão brasileira: a série
“Vigilante Rodoviário”. “Nem a gente imaginava que
ela se tornaria isso tudo que é hoje. Foi muito bom,
pois passamos para a história, já que foi a mais
importante série brasileira. Ela era muito bem
planejada e isso facilitava tudo”, conta Mário.
Em 1965, logo que a TV Paulista foi comprada pela TV
Globo do Rio de Janeiro, iniciando assim a Rede
Globo, Mário Lúcio participou da novela “O Ébrio”, a
primeira gravada em videotape. “As gravações eram
diferentes do que são hoje, pois já tínhamos os videotape, mas não tínhamos os editores, que ainda
não haviam sido desenvolvidos. Então era meio que
gravado ao vivo. Eu fazia uma das crianças da
novela”, explicou.
Mas além de
vários comerciais, temas internacionais para
novelas da Rede Globo e outros trabalhos de
destaque, Mário Lúcio de Freitas ficou marcado
como autor de temas inesquecíveis de aberturas
da televisão brasileira, como “Chaves”, “A Praça
é Nossa”, “Hebe”, “TJ Brasil”, além de muitas
novelas, como “Chispita” e “Os Ricos Também
Choram”, e desenhos, como “Dragon Ball”, “Jen e
as Hologramas” e “Punky, a levada da breca”.
São tantos trabalhos que fica até difícil
escolher o melhor, segundo o próprio Mário. |
Arquivo pessoal

Aos quatro
anos, já era o palhaço
Fominha no circo do pai |
“Eu diria que são dois: o
tema da Punky e a abertura do TJ Brasil. Isso
baseado nas visitas do
You Tube, onde meus vídeos
estão disponíveis. Além das vinhetas do Chaves, é
claro, e do Fly, o Pequeno Guerreiro. O “Aí Vem o
Chaves” eu acho que é uma das músicas mais
executadas da televisão brasileira, devia entrar
para o livro dos recordes”, afirma.
Segundo Mário, para compor um tema para um programa,
telejornal ou novela do SBT, não existiam reuniões
para discussão dos tópicos de cada atração. “No caso
dos programas e telejornais, eles simplesmente
faziam as imagens e mandavam para mim. Eu punha o
que quisesse em cima. Já estavam acostumados com meu
tipo de trabalho. Também fiz mais de 40 aberturas ao
todo. No caso das novelas, compunha uma canção,
baseada na sinopse da novela, e colocava na
concorrência. Ganhei dez vezes”, enumera.
Arquivo pessoal

Durante a
Jovem Guarda, Mário Lúcio (de óculos)
participou de vários conjuntos musicais |
Mário Lúcio trabalhou na Marsh Mallow, dubladora de
Marcelo Gastaldi que produzia a versão nacional de
“Chaves” e “Chapolin”, além de novelas e séries, e
depois fundou a Gota Mágica. “Foi uma época
incrível, tanto que ainda recebemos mensalmente
muitos e-mails falando delas. As mais importantes
séries de animes de todos os tempos foram feitas
pelas produtoras e isso pesa muito. Trabalhávamos
com muita seriedade e com o intuito de fazer bem
feito. Pensando assim, fica fácil”. |
E o sucesso de “Chaves”, era esperado no começo dos
trabalhos de dublagem, em 1984? “Não. Nem os
dubladores esperavam, já que a série veio de
contrapeso de algumas novelas mexicanas”, relembra.
Após anos de bons serviços prestados ao SBT, Mário
Lúcio está processando a emissora por danos morais.
“Eles nunca deram os créditos de nominação em
nenhuma de minhas obras. Já pensou como eu estaria
tranqüilo hoje se em todos os capítulos de todos os
programas que eu fiz para o SBT tivesse meu nome
como criador das músicas? Isso é uma obrigação das
emissoras, regulamentada por lei”, explica. A
Revista TH procurou o SBT para comentar o assunto,
mas a emissora não conta mais com assessoria de
imprensa.
|
Paralelamente ao trabalho de criador e arranjador,
Mário Lúcio produziu inúmeros comerciais. “Criamos
várias peças publicitárias, a mais importante talvez
seja o jingle das Batatas Ruffles, que ganhou uma
concorrência internacional e foi para o mundo todo”,
afirma. |
Arquivo pessoal

Gravando
com
Pelé, no estúdio, em 1989 |
Como trabalhou em diversas fases da televisão
brasileira, Mário pode explicar as diferenças de
produção nos anos 60 e 70, por exemplo, da época
atual, onde os computadores e videotapes facilitam o
serviço. “Acho que a principal diferença é que,
naquela época, era tudo ao vivo. Se errasse, já era.
Isso passava mais um senso de responsabilidade no
que você falava. Esqueceu a fala, esqueceu. Hoje, se
errou, faz de novo, todo mundo dá risada e bola pra
frente. Por outro lado, a tecnologia avançou muito e
tudo fica mais bem acabado. Acho que a TV daquela
época era mais limpa, cumpria melhor sua vocação
cultural”, ressalta.
Quando o assunto são as dublagens de filmes e
desenhos, onde artistas famosos estão tomando o
lugar de dubladores profissionais e recebendo muito
por isso, Mário acha que alguma coisa está errada.
“Acho que é o setor mais mal pago. As dubladoras, se
bobearem, pagam para trabalhar. Então te pergunto,
como é que acham dinheiro para pagar artistas
famosos?”.
Para finalizar, Mário Lúcio deixa uma mensagem para
os fãs. “Gostaria de agradecer o enorme número de
visitas que venho recebendo tanto em
meu site como
nos meus vídeos no
You Tube. Continuem nos
prestigiando. Isso me faz muito feliz e lisonjeado.
Grande abraço a todos”.
Nós é que agradecemos, Mário, por tudo o que você já
fez pela televisão brasileira. Parabéns! |