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REPORTAGEM ESPECIAL - ESPORTE
 
 
O esporte e a televisão brasileira
 

Revista TH faz um levantamento especial sobre as transmissões esportivas na televisão brasileira. Fica a pergunta: além do futebol, há espaço para outros esportes na televisão aberta?

 

Godi Junior
Repórter da Revista TH
godijunior@telehistoria.com.br

 

O esporte brasileiro conta com vários atletas de destaque em praticamente todas as modalidades, mas nem sempre contam com espaço nas transmissões de televisão – aberta ou por assinatura. Geralmente, surgem alguns atletas que se tornam ídolos, o que faz a procura pela modalidade aumentar. No entanto, logo que esse ídolo sai de cena, o esporte, conseqüentemente, também sai.

Podemos definir que a televisão aberta brasileira não exibe esportes, e sim futebol. Outras modalidades são esquecidas pelas emissoras. Nos últimos anos, os campeonatos nacionais e regionais de vôlei e basquete, por exemplo, não tiveram transmissão pela TV aberta. Já o tênis não é visto em grandes emissoras desde que Gustavo Kuerten machucou o quadril e deixou o cenário mundial. Outras modalidades ganham espaço apenas na época das Olimpíadas – está chegando novamente – e só.

A Revista TH entrevistou alguns dos principais nomes do esporte brasileiro, entre atletas, dirigentes e jornalistas, para debater esse assunto. Tudo para que você possa entender porque os outros esportes não são exibidos nas emissoras de televisão.

Reprodução

Quando Guga estava no topo
do ranking, procura por
tênis no Brasil cresceu

Esporte amador?

Para o mesa-tenista Hugo Hoyama, líder do ranking brasileiro da modalidade e com várias Olimpíadas no currículo, os esportes chamados “amadores” não têm espaço na TV. “Infelizmente estamos no país do futebol, e isso, com certeza, atrapalha a divulgação dos outros esportes. Somente quando há um bom resultado de atletas ‘amadores’, a notícia corre nas TVs abertas. Se nós, ‘amadores’, não amássemos tanto o esporte, teríamos parado há muito tempo, pois não conseguiríamos sobreviver sem um trabalho paralelo. Acredito que um dos caminhos para que o espaço seja maior seria um trabalho mais forte das confederações e federações, organizando torneios mais interessantes, com bom premiação e bons patrocinadores. Assim, os canais de televisão se interessariam em transmitir tais eventos”, comenta.

O jornalista Erich Beting, criador do site Máquina do Esporte, um dos mais respeitados quando o assunto são os negócios na esfera esportiva, também acredita que a não presença dos esportes, exceto o futebol, é crônica na TV aberta. Para ele, o grande problema começa com o termo “esporte amador”.

Divulgação/Máquina do Esporte

Erich Beting: o grande problema começa
com o termo "esporte amador"
“Geralmente esse termo é usado para caracterizar os outros esportes, que de amador não têm nada! Hoje temos apenas uma emissora que se dedica a mostrar essas outras modalidades. A Globo presta um serviço ao esporte ao abrir o Esporte Espetacular para mostrar os outros esportes além do futebol. Só que o problema é que o programa ocorre na manhã de domingo e ainda tem de dividir espaço com o futebol. Para contornar isso, a mídia tem de se tornar parceira do esporte. As entidades devem criar projetos formatados para a TV e se apresentar às emissoras como uma possibilidade de parceira estratégica para ambas”, explica.

Erich Beting cita o exemplo da Stock Car como uma fórmula de sucesso. “Ela começou assim na TV Globo, e hoje é um evento com média de 30 mil pessoas por prova, além de ter em média 15 pontos de audiência. E isso muito antes de Cacá Bueno [filho do Galvão Bueno] se consagrar na categoria. O que é preciso ficar claro hoje, tanto para o jornalista quanto para o gestor do esporte, é que o esporte na televisão não é mais um produto jornalístico. Ele se tornou muito mais um produto comercial, que dá retorno financeiro à casa, do que algo que transmite credibilidade e boa informação. Por isso, o esporte tem de ser pensado para a televisão”, ressalta.

Sem espaço

Para Carlos Henrique Moreira, sócio-fundador da Top Sports, empresa que criou o Esporte Interativo, os esportes amadores não deveriam ser exibidos nas TVs abertas. “Não acredito que o lugar do esporte amador seja necessariamente na TV aberta. Neste momento, encaro a TV aberta como o prêmio maior de um planejamento de longo prazo bem elaborado, e o esporte amador precisa ainda de organização, transparência e profissionalização da sua gestão para atrair interesse de um público cativo”, destaca.

Edu César, criador do site Papo de Bola e do blog Papo de Mídia, afirma que os brasileiros são bem futebolistas, o que seria difícil para qualquer outro esporte ganhar espaço. “Por mais que nosso vôlei barbarize com a geração do Bernardinho, por mais que nosso basquete tenha brilhado na época do Oscar, por mais que nosso tênis tenha virado notícia mundial através do Guga, nada é capaz de sequer abalar a indissolúvel veia futebolística enraizada em praticamente 99% dos amantes do esporte. Eu gostaria de ver mais torneios de outras modalidades sendo exibidos em TV aberta. Nem lembro mais da última vez que o Nacional de Basquete e a Superliga de Vôlei passaram em canal aberto. Recentemente passou a final do Nacional de Handebol, mas ficou só nisso também. Não sei, mesmo, como e se algum dia isso será contornado”, afirma.

Ainda de acordo com Edu César, a TV aberta fica focada apenas no futebol, sobretudo no paulista. “Muitas emissoras, como a Band, Record e Rede TV!, acabam fazendo coberturas localistas em rede nacional, com o que eu não concordo”, completa.

 
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A assessoria de imprensa nos esportes
 
E se o tênis de mesa fosse transmitido?
 
Os contratos milionários do futebol
 
Patrocinador espera dar visibilidade à marca e valorizar equipe apoiada
 
Montanaro fala sobre o pouco espaço dos outros esportes na TV
 
Jogo rápido com Carlos Henrique Moreira, sócio da TopSports
   
 
 

ÍNDICE

ANO 1 | Nº 4 | Fevereiro de 2007
capa
Por que todo mundo vê o BBB?
 
No BBB, todos querem ser artistas (até que provem o contrário)
 
Quando será que a fórmula do BBB vai se desgastar?
 
Para psicólogo, votar no paredão é uma forma de se “sentir” Deus
 
Multishow e pay-per-view também lucram com “BBB”
 
"BBB" também movimenta a internet
 
Sexo no BBB 2: Jéferson e Tarciana
 
Artigo - Big Palavrão, Brother!
reportagem especial
O esporte e a televisão brasileira
 
Há qualidade na cobertura jornalística esportiva brasileira?
 
A cultura esportiva das emissoras brasileiras
 
A assessoria de imprensa nos esportes
 
E se o tênis de mesa fosse transmitido?
 
Os contratos milionários do futebol
 
Patrocinador espera dar visibilidade à marca e valorizar equipe apoiada
 
Montanaro fala sobre o pouco espaço dos outros esportes na TV
 
Jogo rápido com Carlos Henrique Moreira, sócio da TopSports
esta é sua vida
O estrangeiro mais brasileiro de todos os tempos
 
Como chegar aos 50 anos de televisão com pique e sucesso?
 
TV Continental, teatro e ditadura militar
 
Atualmente, Adler narra futebol americano na Hungria
 
O reconhecimento de Luiz Salém
reportagem especial
A moda nas novelas de época
 
Especialista avalia figurinos de época
 
Entrevista com maquiador Guilherme Pereira
reportagem especial
Merchandising social nas novelas ajuda a população
 
Os vários tipos de hepatite
máquina do tempo
Rede Globo, 1971
 
Veja entrevistou Roberto Marinho
 
Entenda o caso Globo/Time-Life
casos de sucesso
Jorge Zaidan leva informação aos produtores de todo o Brasil
 
Amigos e parceiros falam de Jorge Zaidan
perfil
Mário Lúcio de Freitas
marcas que marcam
Cavalo de Aço e seus "filhotes" pelo Brasil
tv curiosa
Autor de "Vidas Opostas", em 2002, disse que sabia como vencer a TV Globo
 
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Máquina do Esporte
 
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