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Para Angelo Enzo
Rea, assessor de imprensa da
Photo&Grafia
Comunicação, a cultura esportiva das emissoras
brasileiras é difícil de ser modificada. “A TV
aberta realmente ainda está devendo na cobertura de
esportes amadores. Existem matérias especiais em
determinadas situações, como realização de peneiras,
destaques individuais, entre outros. O Brasil é um
país carente de ídolos e quando surgem grandes
talentos, como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten, Daiane
dos Santos, por exemplo, é natural que haja esse
destaque. Sem divulgação, porém, fica mais difícil
formar outros grandes nomes”, enumera.
De acordo com o jornalista Erich Beting, é
absolutamente normal o espaço para os outros
esportes na TV aberta apenas na época de Olimpíadas
ou quando algum brasileiro se destaca. “O Brasil
respira futebol 366 dias do ano, 25 horas por dia e
oito dias por semana! A mídia acompanha o desejo das
pessoas. É claro que temos outros esportistas e
apaixonados pelos outros esportes, mas não dá para
fugir do que a maioria gosta. Também não pode
acontecer algo muito comum nas redações, que é dar
as costas para os outros esportes. Com uma
visibilidade menor, esses esportes têm uma audiência
muito mais fiel. Sendo assim, mesmo que saia num
espaço menor, esse esporte traz para o veículo um
retorno muito mais palpável do que o futebol. E um
cliente fiel pode gerar mais retorno financeiro no
longo prazo. Só que vendas dependem, no Brasil, do
desempenho do futebol, entre outros fatores, é
claro. Com isso, os outros esportes têm de se virar
para achar o seu espaço e conseguir ser notícia além
dos Jogos Olímpicos e do sucesso extremo. Afinal, se
o esporte dele não atrai a atenção do público, como
será atrativo para a mídia também?”, questiona.
Reprodução

Para Angelo Enzo Rea, quando
surgem grandes talentos, como
Daiane dos Santos, é natural que
outros esportes ganhem destaque |
Já para Leonardo Borges, jornalista do site
Na
Jogada, essa tradição de dar valor apenas nas
Olimpíadas não é boa. “Isso prejudica o esporte de
uma forma geral. Podemos ver em outros países, como
Estados Unidos, Rússia, Alemanha e Cuba, que o
esporte amador deles é muito forte e o futebol,
tirando a Alemanha, não é forte, porque eles não
priorizam uma modalidade apenas. E, nas Olimpíadas,
vemos os resultados dos investimentos desses países.
Esses países citados, cheios de medalhas de ouro,
prata e bronze, são potencias em quase todas as
modalidades, enquanto nós, em apenas algumas”,
ressalta. “Temos que ter um apoio de base, com
investimentos, para que possamos ter atletas em
potencial em quase todas as modalidades. Cuba e
Estados Unidos, por exemplo, são grandes forças
esportivas porque implantaram esporte nas escolas.
De manhã, estudo integral, e, de tarde, apenas
esportes, com professores competentes e remunerados
para isso”, explica. |
Segundo Edu César, do site
Papo de Bola, essa tradição é péssima. “Não deveria ser
assim. Há campeonatos das outras modalidades que
duram o ano inteiro, mas vai ver se alguém dá espaço
para o Nacional de Basquete, para a Superliga de
Vôlei, para a Liga de Futsal, entre outros? A rigor,
acabo vendo cobertura destas competições em TV
aberta só na Globo, e mesmo assim muito abaixo do
que deveria ser feito, já que ela prefere valorizar
torneios não tão importantes, mas que são exclusivos
dela, como aqueles inúteis amistosos das seleções de
várias modalidades, quando o correto seria cobrir as
competições em si. Mas, infelizmente, não vejo como
corrigir isso a médio ou mesmo longo prazo, somos
futebolísticos demais”, afirma.
Outro que também acredita que não é ideal dar espaço
para os esportes ou para os atletas somente quando
estão no auge é o jornalista Rodrigo Bueno, da Folha
de S. Paulo. “Realmente não é o ideal, mas entendo
também em parte o mercado. Em uma emissora aberta,
onde a briga pela audiência e o segundo é muito
valioso, é compreensível só investir ou apostar no
que dá retorno garantido. Os amantes do esporte, em
todo caso, agora desfrutam de canais pagos que já
são uma segmentação, já têm o compromisso de
oferecer mais modalidades, eventos e informações da
área”, finaliza. |