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Montanaro, dirigente do Santander/Banespa:
"Precisamos urgentemente viabilizar
as transmissões e reportagens na
TV aberta de forma sistemática
e consistente" |
Atleta consagrado
do vôlei brasileiro e medalha de prata nos Jogos
Olímpicos de Los Angeles, José Montanaro Júnior é
gerente de vôlei do Santander Banespa / São Bernardo
desde 1993. O dirigente concedeu entrevista por
e-mail para a Revista TH. Confira:
O vôlei
é um esporte que, nos últimos anos, vem conquistando
espaço nas emissoras abertas. Gostaria que você
comentasse esse crescimento merecido da modalidade.
Concordo, porém estamos muito aquém do que já
tivemos, e precisamos urgentemente viabilizar as
transmissões e reportagens na TV aberta de forma
sistemática e consistente.
Esse
crescimento do vôlei é fruto de um grande trabalho
realizado pela sua geração. Quais foram as maiores
dificuldades que vocês encontraram naquele momento
da história, onde o esporte não era tão reconhecido? |
Considero esse expressivo e constante crescimento do
vôlei a somatória de esforços, trabalhos, talentos,
investimentos, de diversos segmentos (dirigentes,
patrocinadores, mídia, técnicos, atletas, público e
outros) e gerações. As maiores dificuldades que
tínhamos era a falta de conhecimento específico
(treinamento desportivo, estratégias, planejamentos,
etc), referenciais nacionais ou próximos do Brasil,
patrocínios, equipamentos esportivos e intercâmbio
com as melhores equipes do mundo naquela época
(leste europeu).
Conseguir um patrocinador no Brasil é muito difícil
para qualquer atleta e modalidade. Sabemos que você
está há vários anos com o Santander Banespa. Comente
essa parceria vitoriosa e fale da importância do
patrocinador no esporte.
O
esporte de alto rendimento é muito caro e dependemos
quase que exclusivamente dos patrocinadores para
conseguir uma boa performance. Desde que deixei as
quadras como atleta, me dedico exclusivamente à
gestão esportiva junto ao Santander Banespa / São
Bernardo, que é o patrocinador mais tradicional do
vôlei brasileiro, com 24 anos ininterruptos
investindo na modalidade. Minha maior missão como
gestor é assegurar o retorno aos investidores sob
vários aspectos: institucional, mercadológico,
negócios comerciais, parcerias, social, etc, através
do marketing esportivo.
O que
acha da Lei Rouanet nos esportes?
Excelente e fundamental para o devido e merecido
crescimento do esporte, a fim de transformar o
Brasil numa nação potência olímpica e colher todos
os benefícios que isso acarreta. Como já disse, o
desporto de alto rendimento é caro, e, na minha
opinião, não cabe ao Estado brasileiro arcar com
esses custos. Nossos governos (municipais, estaduais
e federal) certamente têm outras prioridades
(educação, saúde, segurança, etc) que não o esporte,
mas certamente deve incentivar as empresas a
investir fortemente nesse segmento da sociedade
através de leis como essa. |
João Pires/Photo&Grafia

Lance de jogo do Santander/Banespa |
Por que
somente o futebol tem espaço na TV aberta? Como essa
situação poderia ser contornada?
Infelizmente é uma triste realidade, mas
compreensível. As TVs abertas são empresas que visam
lucro, se elas compram os direitos de transmissão e
comercialização de competições pagando cifras
vultuosas e, depois, não conseguem vender esses
eventos e obter superávit, elas arcam com o
prejuízo. O futebol é um dos poucos esportes que
conseguem ser rentável financeiramente para as
emissoras. Para viabilizar esse espaço, as equipes
deveriam se cotizar e comprar uma carga horária
junto às televisões para garantir um certo lucro das
emissoras e depois tentar capitalizar no mercado,
correndo esse risco. |