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Qual o segredo
para completar, com o mesmo pique, 50 anos de
televisão?
Não
sei se tem um segredo. Eu não decidi ‘vou trabalhar
na televisão por 50 anos, que preciso fazer para
isto?’. Ou 60, porque ainda não pendurei as
chuteiras [atualmente Adler é narrador de futebol
americano na TV húngara]. Acredito que um bocado é
destino. Pelo meu lado, a paixão de informar e
entreter o público nunca diminuiu. E como quando eu
era criança, a televisão ainda é o meu “brinquedo
favorito”. Depois que entrou o primeiro televisor lá
em casa, foi meu presente de aniversário de 12 anos,
levei apenas sete meses e sete dias para passar ao
lado de dentro. Continua sendo o lado que eu mais
gosto.
Arquivo pessoal

Adler na novela "Tempo de Viver" |
O que
você sempre vai se lembrar e o que gostaria de
esquecer nesta trajetória?
O que
eu gostaria de esquecer está esquecido e prefiro não
lembrar, mas claro que numa profissão de tanta
visibilidade, com tanto ego envolvido, acontecem
traições. Eu quero esquecer que já fui traído
algumas vezes. E tem duas coisas que eu não quero
esquecer. Uma delas foi um trabalho que fiz na TVE,
em 1977. Uma adaptação do meu musical infantil “O
Jardim das Borboletas”, que eu fiz e dirigi e ficou
linda. Aliás, esta peça foi das coisas que mais
alegria me deu na carreira, tendo sido montada 18
vezes pelo Brasil, a última em 2003, dirigida por
Luis Salém. E a outra coisa que não quero esquecer é
que na próxima vez que eu for ao ar, tenho que
conquistar o público com melhor trabalho que possa
fazer, como se fosse a primeira vez. |
Você fez novelas também, não foi?
A mais
marcante foi “Tempo de Viver”, na TV Tupi. É a que
lembro com mais carinho. E não pela novela em si,
mas pelas pessoas com quem trabalhei. Marcos
Andreucci, o diretor. E muitos amigos e amigas com
quem já havia trabalhado em cinema e na TV, como
Jece Valadão, Reginaldo Faria, Adriana Prieto,
Isabel Ribeiro, Irene Stefânia, Haroldo de Oliveira,
Paulo César Peréio, Camila Amado, Myriam Pérsia,
Isabel Teresa, Dilma Lóes, Otávio Augusto, Neila
Tavares, e tantos mais.
Qual a diferença entre os profissionais do passado e
o do presente?
Vivo fora do Brasil há
muitos anos e tenho poucas chances de ver a
televisão brasileira. Quando eu voltar ao Brasil,
poderei falar mais sobre isso, mas a criatividade do
brasileiro é muito grande. Sempre foi e sempre será.
Hoje, há oportunidades de formação profissional em
comunicação no ensino superior. Quando comecei, as
coisas eram feitas na cara e na coragem, nem havia a
profissão de ator como coisa reconhecida. Minha
primeira carteira profissional foi emitida dando a
minha profissão como auxiliar de administração.
Pobre administração que me tivesse como auxiliar!
Quais
são os planos para o futuro?
Eu
tenho, há anos, uma placa que adquiri nos Estados
Unidos que diz: “Hoje é o amanhã com o qual você se
preocupou ontem”. Mais importante que meus projetos
para o futuro são os projetos que o futuro tem pra
mim. Se as pessoas que gostam do meu trabalho têm a
impressão de que faço isso com paixão, quero que
continuem gostando. Já as pessoas que gostam do meu
trabalho e que têm a impressão de que eu gosto
delas, mesmo sem conhecê-las, estão absolutamente
certas. E a bola é sua! |