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TV Continental, teatro e ditadura militar
 

Godi Junior
Repórter da Revista TH
godijunior@telehistoria.com.br

 

Arquivo pessoal

Maria Pompeu, Aracy Cardoso e Ida Gomes: as três foram
"mães" de Adler em programas de televisão


Em sua carreira, André Adler também passou pela TV Continental, emissora do Rio de Janeiro transmitida pelo canal 9 entre 1959 e 1972. Sua sede era na Rua das Laranjeiras, quase esquina com Soares Cabral. Uma das curiosidades da emissora era a própria sede, que possuía uma dos maiores teatros do Rio. Seu palco era tão grandioso, que possuía uma piscina olímpica para apresentações de dança. Pouco antes de sua falência, a TV Continental foi despejada desse endereço, onde hoje se localiza a concessionária de automóveis Distac, e mudou-se para um imóvel menor em Vila Isabel.

Adler lembra com saudade da época que trabalhou na TV Continental. “Depois da Tupi, trabalhei algum tempo na Continental. Como muitos outros, nunca fui pago. Foi uma pena, porque era uma TV que tinha tudo para dar certo. Eu fazia o programa De Braços Abertos, de Sarita Campos, que mostrava o que depois ficou rotulado como minissérie. Era uma época boa, começo dos anos 60. Depois da atração, vinha um programa de rock do Carlos Imperial, que eu sempre ficava para assistir, e depois rachava o táxi de volta para Copacabana com o Roberto Carlos”, relembra. Sim, ele mesmo, o rei, que ainda não havia estourado com a Jovem Guarda.

Em 1972, a antiga emissora foi arrendada pela Ordem Religiosa dos Capucinhos do Rio de Janeiro. Mesmo assim, cheia de dívidas e com todos os imóveis hipotecados, passou a transmitir a sua programação diretamente de um velho caminhão de transmissão, localizado ao lado da ordem, no centro do Rio. No mesmo ano, o DENTEL cassou a concessão do canal, que, mais tarde, passou a ser ocupado pela também extinta TV Corcovado.

Teatro e ditadura militar

A paixão pelo teatro fez com que André Adler dividisse seus trabalhos na televisão. O jovem ator, na época, pôde contracenar com grandes nomes, como Alda Garrido e Dulcina de Moraes, além de diversos diretores.
 
“Trabalhei com diretores então modernos, como Calros Murinho na peça “Romance do Vilela”, de Francisco Pereira da Silva. Fiz Chiquinho em “Eles não usam Black Tié”, de Gianfrancesco Guarnieri, na remontagem dirigida por Paulo José e Milton Gonçalves. Fiz teatro mais light com Domingos Oliveira, com quem tanto aprendi. E trabalhei com o Grupo Opinião em “Dr. Getúlio, sua vida e sua glória”, de Dias Gomes e Ferreira Gullar”, enumera.

Arquivo pessoal

Três estrelas da TV brasileira: André Adler,
Maurício Sherman e Reginaldo Faria: amizade

Apesar das alegras que o teatro lhe proporcionou, o artista passou pelo pior momento da história da cultura e liberdade de expressão nacional, a ditadura militar instaurada no Brasil entre 1964 e 1985. “Foram os momentos mais difíceis que vivenciei. Passamos o sufoco de espancamento pelo CCC [Comando de Caça aos Comunistas]. Ary Fontoura e eu dividíamos camarim no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, com uma imensa tora de madeira para nos defender se fosse preciso”, ressalta.

Sobre a ditadura, Adler faz um desabafo. “Me doeu como pessoa e como artista. Como pessoa, me doeu pelo atraso cultural causado pela censura, e doeu fisicamente quando passei por um corredor polonês da PM na passeata do Edson Luiz. Como artista me doeu também, pois comecei a escrever cinema e sempre tive que limitar a dimensão do que realmente queria dizer e fazer desde o primeiro filme que fui co-autor, “Os Paqueras”, do meu grande amigo Reginaldo Faria. Mas, enfim, tudo isso é história”.

 
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O estrangeiro mais brasileiro de todos os tempos
 
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Atualmente, Adler narra futebol americano na Hungria
 
O reconhecimento de Luiz Salém
   
 
 

ÍNDICE

ANO 1 | Nº 4 | Fevereiro de 2007
capa
Por que todo mundo vê o BBB?
reportagem especial
O esporte e a televisão brasileira
esta é sua vida
O estrangeiro mais brasileiro de todos os tempos
reportagem especial
A moda nas novelas de época
reportagem especial
Merchandising social nas novelas ajuda a população
máquina do tempo
Rede Globo, 1971
casos de sucesso
Jorge Zaidan leva informação aos produtores de todo o Brasil
perfil
Mário Lúcio de Freitas
marcas que marcam
Cavalo de Aço e seus "filhotes" pelo Brasil
tv curiosa
Autor de "Vidas Opostas", em 2002, disse que sabia como vencer a TV Globo
 
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