Arquivo pessoal

Marco Alfaro e André Adler narrando futebol
americano ainda na ESPN, nos EUA |
Depois de muito
trabalho na televisão brasileira, Adler
resolveu, após 14 anos nos Estados Unidos, como
locutor da ESPN, morar por um ano na Hungria,
onde nasceu. Aos 62 anos, atualmente ele narra
jogos de futebol americano no canal Sportklub –
e faz muito sucesso entre os húngaros.
Mas a paixão pelo esporte não é de hoje. Há
alguns anos, André Adler dedica sua carreira ao
esporte. Mais especificamente, o futebol
americano. |
No entanto, em
1992, nem passava pela cabeça do artista trabalhar
com a modalidade. “Eu narrava automobilismo, hóquei
da NHL, boxe e golfe, quando o Esteban Gonzáles, que
era o meu chefe na ESPN, em 1992, disse que eu teria
que fazer futebol americano, que iria fazer o Super
Bowl XXVII, em Pasadena. Quis recusar por total
falta de experiência. Ele disse que eu tinha que
fazer, e acabaria gostando. Benny Ricardo, ex-kicker
do Vikings e que comentava em espanhol com o Álvaro
Martin, nos deu várias aulas e o próprio Álvaro me
incentivou muito”, conta.
O resultado, segundo o próprio Adler, não foi dos
melhores, mas não é que ele acabou gostando mesmo do
esporte? “Os poucos que assistiram aquele Super Bowl
acharam que foi muito ruim. Eu também achei. Mas me
apaixonei pelo jogo e fui aprendendo. É inteligente
como um jogo de xadrez. É democrático porque permite
que pessoas com biótipos diversos participem de uma
mesma equipe. E é tão maravilhosamente e
intrinsicamente complicado que permite que a gente
não pare de aprender mais sobre ele nunca”, destaca.
“Com o tempo, aproveitei a oportunidade que me foi
dada para apoiar, no microfone e fora dele, todas as
iniciativas brasileiras com a bola oval. E estas me
enchem de orgulho a cada dia”, completa.
Quando questionado sobre as forças do esporte no
Brasil e por que as emissoras abertas não exibem a
modalidade, Adler foi esperançoso. “A bola oval está
sendo jogada no Brasil de Manaus a Porto Alegre.
Isso era inimaginável há poucos anos. Em 1998,
fundei uma lista de discussão sobre futebol
americano, a
Redzone, que hoje tem mais de 2.000
participantes conversando diariamente sobre o
assunto. Colegas que debochavam de mim pela minha fé
na eventual popularização do esporte não o fazem
mais. Gente que aprendeu o esporte assistindo na
televisão já está até comentando na televisão.
Crianças imitam brincando o meu E é
toouuuuuuuuuchdooooooown”, ressalta.
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Aos poucos, o futebol americano vai se popularizando
pelo mundo. “Dois fatores popularizam e vão
popularizar ainda mais o futebol americano. Um deles
é o nível do jogo da NFL, que está melhor a cada
ano. O outro é o entendimento cada vez maior sobre o
esporte jogado com uma bola oval, que pode ser
praticado em qualquer país. A NFL vai ter um jogo da
temporada regular disputado em Londres neste ano. Em
2005, já tiveram, com muito sucesso, um jogo na
Cidade do México. Acho que é só questão de tempo
para as TVs abertas mostrarem jogos novamente. Só
que agora é preciso que o façam com um investimento
maior na qualidade da transmissão, já que o público
ficará mais exigente”, alerta. |
Arquivo pessoal

Adler gravando matéria antes
do Super Bowl: touch down |
TV
brasileira x TV húngara
Adler
comenta que existe muita diferença entre trabalhar
na TV brasileira e na TV húngara. “A televisão
húngara está ainda há anos-luz de distância em
termos de produção e programação. A Hungria se
atrasou muito sob o domínio comunista e isto aparece
também numa televisão ainda neo-capitalista. O
layout é meio pobre. Há uma quantidade imensa de
filmes dublados, programas de bate-papo chatos e
programas populares copiados. Há alguns bons
programas de jornalismo, que eu já tive a sorte de
ser matéria nos dois melhores: “Aktiv”, da TV2, e “Fokus”,
da RTL Klub. Em termos de esporte, o progresso é
maior tendo quatro canais que mostram esportes
húngaros e internacionais”, finaliza. |