Vinheta vem de vinha. E vinha vem de videira. A videira você sabe, é o arbusto que dá a uva! Pode parecer um jogo de palavras, mas é isso mesmo. A vinheta, tal como nós conhecemos hoje em dia, tem sua inspiração nessa frutinha típica de regiões de clima temperado. Mas essa é uma longa história, coisa de pelo menos 1.500 anos atrás.
O dicionário define o termo vinheta como “pequena estampa de um livro, para enfeite ou para explicação do texto”. Esse papel alegórico desempenhado pela videira foi amplamente divulgado pela igreja na Idade Média por meio da iluminura, a arte de “iluminar” os manuscritos da bíblia. A iluminura funcionava como uma espécie de representação visual do texto, comportando ilustração, vinheta e caligrafia. Segundo Aznar, autor do livro Vinheta: do pergaminho ao vídeo, “a videira foi a forma utilizada para expressar todo o simbolismo do Antigo Testamento”. Além de proporcionar certa medida de bem-estar visual, aquilo que as pessoas não pudessem entender através da escrita deveria ser aprendido por meio das figuras.
É verdade que há muita diferença entre essas primeiras vinhetas e as que vemos na televisão hoje em dia, mas estas ainda cumprem praticamente o mesmo papel da iluminura da Idade Média: 1) funcionam como uma espécie de enfeite, preenchendo apenas os espaços vazios e 2) “iluminam”, relacionando-se com o conteúdo da mensagem transmitida.
Esse primeiro aspecto, talvez pelo desenvolvimento da computação gráfica e do próprio design, é o que percebemos com maior facilidade. Não raras vezes nos sentimos seduzidos por certas vinhetas, sem nem mesmo saber exatamente o por quê. Basta pesquisar as comunidades no orkut para encontrar centenas de apaixonados pelos mais diversos tipos de vinhetas.
Mas o segundo aspecto que comentamos, o da significação, é também bastante comum nas vinhetas produzidas para a mídia televisiva. Em novelas, programas de entrevista e telejornais – só para citar alguns exemplos – as vinhetas têm funcionado como uma espécie de convite, adiantando muitas vezes os temas que serão abordados nessas produções. Mas não apenas isso. Muitos contratos que precisam ser firmados entre a mídia e o telespectador para que se consiga uma audiência cativa começam justamente na vinheta.
Ao longo das nossas conversas, iremos entender melhor esses aspectos. Discutiremos por que as vinhetas nos seduzem tanto, como e quais tipos de contrato são firmados por elas. Se você gosta de alguma vinheta em especial e quer saber mais sobre ela, escreva pra gente: jeschiavoni@yahoo.com.br.
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