Como se sabe, as vinhetas foram originalmente utilizadas como complemento das iluminuras da Idade Média. É possível observar que as vinhetas, ao contrário das ilustrações, se relacionavam indiretamente com o texto, sendo formadas, geralmente, por ramagens, flores e folhas. Já as ilustrações eram mais incrementadas, com imagens diversas – pessoas, objetos, cenários etc. – chegando a compor verdadeiras narrativas.
A morte de Sócrates na prisão, após ter bebido o copo de veneno, na presença dos discípulos, dos acusadores e dos magistrados. Iluminura francesa de Maitre François, datada de 1475, feita para Jacques d´Armagnac (1433+1477), 3º Duque de Nemours. Pertencente à coleção “La Cite de Dieu”, livro I, fl. 362v.
Se compararmos as vinhetas originais e as que assistimos hoje na programação televisiva teremos a impressão de que estas tomaram para si o papel que antigamente era cumprido pela ilustração. Assim, a vinheta deixa de ser um elemento secundário, descartável, e passa a se relacionar diretamente com o texto ou forma pronta - que no caso da TV pode ser os programas, sobretudo porque há as vinhetas de abertura, mas também os breaks comerciais, já que também temos, por exemplo, vinhetas institucionais.
Mas, na verdade, pretendemos ir além disso: primeiro é preciso lembrar que as iluminuras eram formadas por vinhetas, ilustrações e capitulares. Se buscarmos estabelecer um paralelo, vamos encontrar nas vinhetas de hoje a presença de logotipos. Muitos videografismos, aliás, são produzidos a partir dos logos dos programas ou mesmo da emissora em que são veiculados.
Dessa forma, parece que a vinheta televisiva abarcou todos os elementos da iluminura. E, do mesmo modo, também admite certa flexibilidade, podendo conter ou não certos componentes. Por exemplo, há vinhetas que contêm logotipos, outras não. Algumas são estilizadas e não se relacionam diretamente com o conteúdo da forma pronta etc. Isso nos indica que a vinheta televisiva tornou-se a correspondente atual da iluminura!
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