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TELEVISUAL
André Luiz Sens
Semanal. Publicada às terças
Designer gráfico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina e atualmente trabalha na empresa INFOTV
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Terça-feira | 8 de julho de 2008 | 10:01

A evolução do design da TV Tupi

 



Inaugurada pelo jornalista Assis Chateaubriand em 1950, a TV Tupi foi a primeira emissora da televisão brasileira e também a precursora da utilização de recursos gráficos na sua identificação e seu adorno, como os inesquecíveis interprogramas e o seu famoso indiozinho. Mesmo com aparatos tecnológicos limitados e técnicas primitivas, esses recursos necessários não só para divulgar a emissora, mas também esta novidade revolucionária que era televisão. O passar dos anos trouxeram, além do aprimoramento técnico, a forte concorrência. Isso fez com que emissora tivesse que adaptar graficamente para acompanhar os novos tempos. Mesmo não conseguindo sobreviver, a TV Tupi conseguiu entrar também para a história através da implementação de conceitos gráficos para televisão utilizados até hoje.

O primeiro símbolo da PRF-3 TV Tupi-Difusora e, por sua vez, da televisão brasileira foi um índio austero com uma lança na mão, símbolo emprestado da PRG-2 Rádio Tupi São Paulo. Essa associação direta era natural, tendo em vista que o rádio era sem dúvida a principal referência tanto técnica quanto comercial para o novo aparelho que acabara de surgir. Outra questão era passar alguns atributos conquistados pela rádio Tupi e representados em sua marca, como seriedade, tradição, imponência e exaltação nacional.

Nesse momento as possibilidades técnicas eram muito limitadas. As primeiras vinhetas eram compostas por imagens estáticas sobre um cartão focalizado por uma câmera. O radialista e desenhista Mário Fanucchi, era responsável pela produção dos cartões, que os denominou de interprogramas. Sempre quando havia alguma falha técnica (que eram muitas) ou troca de cenário (já que tudo era ao vivo), se fazia uso deles.



Primeiro vinheta interprograma (1950)

O índio então aparecia ilustrando constantemente esses cartões. Ás vezes, durante horas. E essa constância fez com que o a primeira marca da TV Tupi começasse a agregar valores negativos. Tanto que “mais chato que o índio da Tupi” havia se transformado um adjetivo comum para denominar algo ou alguém muito irritante ou tedioso.



Símbolo da PRG-2 Rádio Tupi e a mascote Tupiniquim

Fanucchi percebeu isso rapidamente. Para substituir o índio sério, ele utilizou uma mascote, também indígena, mas bem mais simpática que o símbolo anterior, conhecido como Tupiniquim. A marca recebeu uma antropoformização e, com traços mais divertidos e leves, agregou uma humanização á emissora, além de um perceptível apelo infantil.



Vinhetas interprogramas “Nossa próxima atração”

O Tupiniquim estampava tantos os institucionais, quanto a chamadas dos programas sempre iniciadas com a frase “Nossa próxima atração”. Frase que se tornou o título de um livro produzido por Fanucchi em 1996 sobre os bastidores de TV Tupi e seus famosos interprogramas.



Vinheta interprograma “Já é hora de dormir”

A popularidade do indiozinho e da própria televisão entre o público infantil foi tanta que foi mais uma vez necessário criar um recurso para evitar um atributo negativo entre os adultos, já que a nova caixa eletrônica deixava as crianças vidradas até tarde, dificultando os pais em fazê-las dormir. Foi então criado um cartão com o Tupiniquim dormindo serene em uma rede na sua oca, ao som da famosa música “Já é hora de dormir”, aproveitado posteriormente no famoso comercial dos cobertores Parayba.



“Marca” da TV Tupi com o Tupiniquim

A função dessa nova mascote não era apenas de promoção e identidade da emissora, mas também do próprio aparelho televisor. Ela representava, através de um elemento histórico-cultural com um inusitado cocar de antenas, uma nova situação no Brasil em que o advento da televisão possibilitaria a formação de um público nacional ligado com as novas possibilidades propiciadas pelo desenvolvimento tecnológico.

Pela dificuldade de representação de volume, além da falta de cores e movimento, a solução encontrada foi a aplicação de uma estética originada das histórias em quadrinhos. Inspirados nas personagens de Walt Disney e do desenhista brasileiro Luiz Sá, os interprogramas aproveitaram de alguns recursos dos quadrinhos para atribuir ações e sentimentos com desenhos caricatos e tipografias decorativas marcantes.

A animação dos interprogramas veio a partir da importação pela TV Tupi de projetores chamados Gray Tellop. Estas máquinas reproduziam seqüências de imagens através de uma tira de quadros que se deslocavam em um movimento de trilho. Logo após, vieram os projetores de slides (com o sistema negativo e positivo) que permitiram uma maior qualidade nas imagens, como fotografias, gravuras, letras, etc.



Vinheta TV Tupi com parceria da Varig (década de 60)

Mesmo com a substituição dos interprogramas por vinhetas em movimento, a utilização de mascotes como identidade dos canais não foi deixada de lado. Esse recurso foi utilizado pela TV Tupi e seguido por todas as emissoras da época, com o casal Rita e Paulinho na TV Excelsior e o tigre sorridente na TV Record, sem contar uma série de personagens utilizados em anúncios comerciais de sucesso. Os personagens, agora animados, ganhavam literalmente vida e conquistaram ainda mais carisma e fascínio pelos telespectadores, principalmente entre as crianças, classe mais receptiva aos anúncios publicitários e com maior poder de influência no núcleo familiar.



Evolução da marca

Em 1972, com o início das transmissões em cores e a TV Tupi se consolidando como uma rede, ela necessitava assumir novamente ares mais sérios e uma identidade mais corporativa, assim como já haviam fazendo as suas concorrentes. Com isso, o índio foi finalmente substituído por um novo símbolo. Eliminou-se a brasilidade do indiozinho e acentuou-se a referência à televisão em cores. No lugar do cocar de antenas como representante da televisão, foram utilizadas duas linhas onduladas que se cruzavam, representando as ondas de transmissão. Essas ondas envolviam três círculos com as cores verde, vermelho e azul, o tradicional sistema de cores-luz RGB utilizado pelos aparelhos televisores na transmissão de imagens em cores. Já as vinhetas institucionais apresentavam o símbolo através de efeitos visuais psicodélicos, tendência estética bastante utilizada na época entre as emissoras.

Mesmo com a crise financeira, a baixa audiência e a forte concorrência, o designer e cenógrafo Cyro Del Nero, foi convocado para criar em 1979 uma nova marca e um sistema de identidade visual, que acabou durando aproximadamente um ano. Sua forma moderna, simples e com uma alta pregnância, caracterizava-se pela utilização de três polígonos arredondados, formando a inicial do nome da empresa. Portanto, os aspectos emotivos de uma mascote deram lugar de vez a uma marca com preocupação com princípios funcionalistas e formais da Gestalt, como a simplificação, pregnância, harmonia e unidade. As vinhetas acompanhavam esses conceitos, trazendo a marca com poucos efeitos e construções minimalistas.

Foram também eliminadas as ondas e os círculos, mas permaneceram as mesmas cores. A manutenção dessa paleta cromática não estava somente relacionada com o intuito de fazer uma ligação com os atributos do símbolo anterior e reforçar o conceito da televisão em cores. O colorido, na versão em preto branco, dava lugar a uma variação tonal de cinza sem que se perdesse uma identidade formal. Essa preocupação era importante já que nova tecnologia da tevê em cores ainda era um artigo de luxo.

Slides da década de 50 com o índio Tupiniquim (narração Mário Fanucchi)



Vinheta da década de 60 com parceria da Varig



Vinheta Interprograma da década de 70



Intervalo da década de 70 com Vinheta Interprograma



Vinheta Interprograma do final da década de 70 I



Vinheta Interprograma do final da década de 70 II

 
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COMENTÁRIOS (2)

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jonas paulo negreiros | jundiaí (sp)
- 08:48
a vinheta interprograma era um padrão gráfico utilizado para ajustes gerais das câmaras e receptores de televisão, como a linearidade vertical e resolução definição de imagem.
esta vinheta podia ser exibida a partir de um cartão gráfico, slide, ou era gravada diretamente no alvo de uma válvula eletrônica.
os padrões modernos são gerados por circuitos digitais, sem qualquer impressão gráfica.
 
flávio correia | rio de janeiro (rj)
- 20:53
é uma pena que a primeira emissora de tv da américa do sul tenha falido e é uma pena que nosso governo nada fez para ajudar à empresa não falir. nisso, muitas pessoas acabam perdendo seus empregos, como foi o caso da extinta rede manchete, como também aconteceu com a varig. é mais fácil deixar uma empresa falir e vindo com isso o desemprego de muitos funcionários, do que o governo procurar a ajudar essas empresas. lamentável esse país que vivemos!
 

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